Romeu Zema Neto, nascido em 28 de outubro de 1964, em Araxá (MG), é administrador, empresário e ex-governador de Minas Gerais. Diferentemente de candidatos que passaram décadas em partidos e no Congresso, Zema entrou na política eleitoral apenas em 2018 — e estreou vencendo o governo do segundo estado mais populoso do país.

Depois de dois mandatos em Minas, deixou o cargo em 2026 para disputar a Presidência pelo Partido Novo, tendo Eduardo Girão como candidato a vice.

Sua candidatura tenta transformar em projeto nacional a marca que ele construiu desde a primeira eleição: gestão empresarial, redução do tamanho do Estado, privatizações, desregulamentação e controle de gastos públicos.

Quem é Romeu Zema

Zema nasceu em uma família de empresários do interior mineiro e formou-se em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Sua vida profissional ficou associada ao Grupo Zema, conglomerado familiar com atuação histórica em varejo, serviços financeiros, concessionárias e outros negócios. Zema assumiu funções de direção na empresa ainda jovem e passou a comandar a expansão do grupo a partir dos anos 1990.

Essa experiência empresarial se tornaria o principal elemento de sua identidade política. Desde 2018, Zema apresenta a ideia de que práticas de gestão usadas no setor privado — metas, redução de despesas, cobrança por resultados e simplificação de processos — deveriam ser aplicadas com mais intensidade ao setor público.

A estreia na política virou uma vitória inesperada em 2018

Zema chegou à eleição de 2018 com pouca experiência partidária e baixo conhecimento nacional. Concorrendo pelo Novo, cresceu durante a campanha e terminou o primeiro turno à frente de nomes mais tradicionais em Minas Gerais.

No segundo turno, venceu Antonio Anastasia com ampla vantagem e assumiu o governo em janeiro de 2019.

Aquela eleição aconteceu no mesmo ambiente de forte rejeição à política tradicional que levou Jair Bolsonaro à Presidência. Zema apoiou Bolsonaro no segundo turno, mas procurou manter uma identidade própria ligada ao discurso liberal e de gestão.

Em 2022, foi reeleito governador já no primeiro turno, consolidando-se como um dos principais nomes nacionais do Novo.

Dois mandatos em Minas viraram o cartão de visita

No governo, Zema passou a destacar a atração de investimentos privados, concessões, reorganização administrativa e busca por equilíbrio fiscal. Ao mesmo tempo, Minas continuou enfrentando questões estruturais como a elevada dívida com a União e a discussão sobre privatizações de empresas estaduais.

A campanha presidencial usa os dois mandatos como demonstração de que Zema possui experiência executiva, mas a transposição do modelo mineiro para o governo federal é um ponto central de debate.

O próprio candidato costuma comparar sua experiência de empresário e governador à de adversários. Em 2026, disse que isso o diferencia especialmente de Flávio Bolsonaro; veja Zema diz que experiência empresarial e de governo o diferencia de Flávio Bolsonaro.

Da reeleição em Minas à corrida presidencial

Zema deixou o governo de Minas em março de 2026, dentro do prazo de desincompatibilização para disputar a Presidência.

O Novo lançou sua candidatura com o ex-senador cearense Eduardo Girão como vice. O partido tenta se apresentar como uma alternativa de direita tanto ao governo Lula quanto ao bolsonarismo, embora Zema tenha mantido diálogo e convergências com Jair Bolsonaro em diferentes momentos.

A campanha preserva a identidade liberal do partido, mas procura ampliar o discurso para segurança, programas sociais e temas institucionais.

O que Romeu Zema defende para a economia

A agenda econômica é o núcleo mais previsível da candidatura.

Zema defende redução de despesas, revisão de benefícios e subsídios, privatizações e concessões, desregulamentação e uma administração pública mais orientada por metas. A equipe econômica também apresentou a intenção de transformar o déficit primário em superávit de 1% do PIB no primeiro ano, sem aumento de impostos.

Em setembro, um assessor da campanha detalhou a proposta de reunir diferentes benefícios federais em uma espécie de “Super-Bolsa Família”, com regras unificadas e maior uso de metas e controles. A ideia envolve programas com públicos e fundamentos jurídicos diferentes e, por isso, depende de desenho legislativo e constitucional antes de qualquer implementação.

Zema também defende rever a forma de aplicação dos pisos de saúde e educação, levando em conta critérios demográficos e resultados. O AVATIX News detalhou essa proposta em Zema quer flexibilizar pisos de saúde e educação com critérios demográficos.

MEI, incentivos e menos intervenção estatal

No mercado de trabalho, Zema propõe ampliar o uso do MEI para formalizar trabalhadores de aplicativos e aumentar o teto do regime. Leia Zema quer formalizar motoristas de aplicativo pelo MEI e ampliar teto.

Ele também defende redução gradual de incentivos fiscais que considera excessivos. Um dos exemplos citados pelo candidato foi a Zona Franca de Manaus, embora reconheça que regiões menos desenvolvidas podem justificar estímulos temporários; veja Zema defende “desmame” de incentivos fiscais e cita Zona Franca de Manaus.

Essa lógica resume boa parte de sua visão econômica: o Estado deve concentrar recursos onde considera indispensável e reduzir intervenções permanentes, benefícios setoriais e barreiras ao setor privado.

Segurança e a referência a El Salvador

Na segurança pública, Zema passou a falar em retomada de territórios dominados pelo crime organizado e visitou El Salvador, país que reduziu drasticamente homicídios sob o governo de Nayib Bukele, mas também recebeu críticas internacionais por prisões em massa e restrições a garantias civis.

Zema afirma que não pretende copiar integralmente o modelo salvadorenho. Diz querer aproveitar conceitos de controle territorial sem reproduzir abusos ou restrições incompatíveis com a democracia brasileira. O posicionamento está em Zema diz que não copiaria El Salvador e quer adaptar ideia de retomada de territórios.

Bolsonaro, STF e a tentativa de ocupar outra faixa da direita

A relação de Zema com o bolsonarismo é mais ambígua do que a de candidatos que romperam frontalmente com Jair Bolsonaro.

Ele apoiou Bolsonaro em 2018 e 2022 e compartilha com esse eleitorado críticas à esquerda e ao Supremo. Ao mesmo tempo, a campanha de 2026 tenta vender Zema como uma opção mais centrada em gestão e menos dependente da família Bolsonaro.

Ao longo da campanha, Zema endureceu suas críticas ao STF e passou a citar nominalmente ministros em episódios ligados ao caso Banco Master. Também mantém posições conservadoras em temas como anistia do 8 de Janeiro e rejeição à vacinação obrigatória. Algumas afirmações suas em entrevistas foram submetidas a checagem; veja Checagem de Zema na Globo: El Salvador, Minas e feminicídio.

Afinal, quem é Romeu Zema?

Romeu Zema é um empresário que entrou tarde na política profissional, mas chegou rapidamente a um cargo executivo de grande peso.

Sua trajetória eleitoral é curta quando comparada à de Lula ou Caiado: duas eleições para governador, duas vitórias e agora uma candidatura presidencial. Isso permite que ele preserve a imagem de alguém vindo de fora da política tradicional, embora oito anos à frente de Minas já forneçam um histórico concreto para avaliação.

Em 2026, sua pergunta central é parecida com a que o levou ao governo mineiro em 2018, só que em escala muito maior: o eleitor brasileiro aceita a promessa de administrar o Estado mais como uma empresa? E, mesmo entre quem concorda com essa ideia, Zema consegue se diferenciar o suficiente de outras candidaturas de direita para chegar ao segundo turno?

Fontes

Folha de S.Paulo / Governo de Minas Gerais / Agência Brasil ↗

Folha de S.Paulo — candidatos à Presidência e propostas em 2026: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/veja-quem-sao-os-candidatos-a-presidencia-nas-eleicoes-de-2026.shtml

Governo de Minas Gerais — perfil institucional de Romeu Zema: https://www.mg.gov.br/governador/romeu-zema-neto

Agência Brasil — candidatura de Romeu Zema à Presidência em 2026: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-08/romeu-zema-e-candidato-do-novo-presidencia-da-republica

Folha de S.Paulo — plano econômico e unificação de programas sociais da campanha de Zema: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/zema-vai-unificar-programas-sociais-sob-novo-bolsa-familia-e-quer-vincular-gastos-a-metas-diz-assessor.shtml