A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto de 2026, alta de 23,8% em relação ao mesmo mês do ano passado. O resultado foi sustentado por uma aceleração das exportações, que cresceram 12,2%, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A corrente de comércio — soma de exportações e importações — atingiu US$ 58,9 bilhões, o maior valor já registrado para um mês de agosto na série histórica.
Exportações chegam a US$ 33,2 bilhões
O Brasil exportou US$ 33,2 bilhões em agosto e importou US$ 25,8 bilhões.
O avanço das vendas externas ocorreu nos três grandes grupos produtivos acompanhados pelo governo:
- indústria extrativa;
- indústria de transformação;
- agropecuária.
Petróleo, soja, cobre e café estiveram entre os produtos que ajudaram a puxar o resultado.
No acumulado de janeiro a agosto, o saldo comercial chegou a US$ 55,3 bilhões, 28,2% acima do registrado no mesmo período de 2025.
Exportações aos EUA crescem em valor
O dado que mais chama atenção no cenário de tensão comercial é o desempenho das vendas aos Estados Unidos.
As exportações brasileiras para o mercado norte-americano somaram US$ 3,19 bilhões em agosto, crescimento de 12,1% na comparação anual, mesmo no mês em que passaram a valer novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump.
O resultado, porém, não significa que as tarifas não produziram efeito.
Segundo o MDIC, o preço médio dos produtos brasileiros vendidos aos EUA subiu 8,6%, ajudando a compensar a redução do volume físico embarcado.
Em quantidade, as exportações aos Estados Unidos caíram 3,1% em agosto.
Aeronaves e carne bovina ajudaram o resultado
Entre os itens que contribuíram para o crescimento do valor exportado estão aeronaves e equipamentos, carne bovina, produtos de ferro e aço, materiais de construção, celulose e café.
Alguns produtos relevantes, como aeronaves e carne bovina, ficaram fora das novas tarifas, o que também ajuda a explicar a diferença entre o valor total e o efeito sentido por segmentos diretamente atingidos.
No ano, comércio com os EUA ainda mostra queda
O quadro de janeiro a agosto é menos positivo.
As exportações brasileiras aos Estados Unidos caíram 13,6% em volume e 9,7% em valor no acumulado do ano, totalizando US$ 24,1 bilhões.
O Brasil também manteve déficit comercial com os Estados Unidos. No acumulado do ano, o saldo negativo ficou em cerca de US$ 3,2 bilhões.
Europa cresce com força
Outro destaque foi a expansão das vendas para a Europa.
O valor exportado ao bloco chegou a US$ 5,82 bilhões em agosto, alta de 46,4% em um ano. O volume aumentou 30,3%.
O que os números mostram
O resultado de agosto indica que a balança brasileira segue forte em valor, mas também mostra por que é preciso separar preço e volume.
No comércio com os EUA, por exemplo, o faturamento cresceu ao mesmo tempo em que a quantidade embarcada caiu.
Isso significa que um mês positivo em dólares não elimina os riscos das barreiras comerciais para empresas diretamente expostas às tarifas.
Fontes
https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-09/balanca-comercial-tem-superavit-de-us-74-bilhoes-em-agosto | https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-09/precos-maiores-sustentam-alta-das-exportacoes-aos-eua-em-agosto
