Augusto Cury (Avante) ampliou nesta quinta-feira (10), em encontro na Genial Investimentos, as explicações sobre sua agenda econômica e a equipe que pretende montar caso seja eleito.

O candidato evitou prometer equilíbrio fiscal imediato, disse que gostaria de perseguir déficit zero, voltou a defender tributação mais pesada sobre empresas de apostas e citou conversas com economistas conhecidos do mercado.

A nova fala complementa propostas já apresentadas em entrevistas anteriores sobre redução de ministérios, uso de inteligência artificial no governo, BNDES e mudanças no Bolsa Família.

Cury diz que gostaria de déficit zero, mas evita cravar a meta

Na Genial, Cury classificou a situação fiscal do governo como muito ruim e afirmou que o próximo mandato começará sob forte restrição orçamentária.

Questionado sobre uma meta de resultado primário, disse que gostaria de falar em déficit zero, mas ponderou que não sabe se esse objetivo seria imediatamente viável diante da situação das contas públicas.

O candidato relacionou a dificuldade fiscal ao custo dos juros e ao crescimento da dívida e afirmou que medidas de receita e redução de despesas seriam necessárias.

Bets voltam a aparecer como fonte de arrecadação

Cury novamente apontou as empresas de apostas como uma das fontes que poderiam aumentar a arrecadação.

Em entrevistas anteriores, ele já havia defendido elevar fortemente a tributação do setor, chegando a mencionar carga superior a 50%.

Na Genial, voltou a relacionar a tributação das bets à tentativa de aproximar o resultado fiscal de zero.

Essa conta, porém, ainda não veio acompanhada de estimativa detalhada sobre arrecadação potencial, comportamento das empresas, risco de migração para operações ilegais ou efeito sobre o mercado regulado.

Mansueto Almeida, Marcos Lisboa e Armínio Fraga

Cury disse que ainda não pode anunciar quem seria seu ministro da Fazenda e afirmou estar conversando com diferentes economistas.

Segundo o candidato, ele já conversou com Mansueto Almeida e Marcos Lisboa e pretende conversar com Armínio Fraga.

A menção não significa que qualquer um deles tenha aceitado convite ou integrado formalmente a campanha. Cury afirmou que as conversas estão em andamento e evitou apontar um favorito para comandar a área econômica.

Governo de 8 a 10 ministérios

Na entrevista à Globo, Cury havia dito que pretende reduzir a estrutura federal para algo entre oito e dez ministérios e criar uma pasta ou secretaria executiva voltada a inteligência artificial e robótica.

Também propôs mudanças no Bolsa Família para permitir que beneficiários aceitem emprego formal sem perder imediatamente o auxílio, com uma transição gradual para a renda do trabalho.

BNDES e pequenos negócios

Outra ideia apresentada pelo candidato foi separar funções do BNDES, mantendo uma estrutura para grandes projetos e fortalecendo uma frente voltada ao financiamento de pequenos empreendedores e microempresas.

O conjunto mostra que Cury vem adicionando peças a seu programa econômico, mas ainda faltam números consolidados para responder como redução de ministérios, programas sociais, crédito, investimentos e meta fiscal se encaixariam em um mesmo orçamento.

A fala da Genial acrescenta duas informações importantes: o candidato não está prometendo déficit zero já no início do mandato e está buscando interlocução com economistas de perfis diferentes antes de anunciar uma eventual equipe econômica.

Hauly detalha corte de 10% nas compras públicas

Em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo em 23 de setembro, Luiz Carlos Hauly, assessor econômico da campanha de Augusto Cury, apresentou detalhes que não apareciam nas primeiras entrevistas do candidato.

A proposta inclui reduzir em cerca de 10% os gastos federais com compras públicas por meio de revisão de preços, centralização de referências e criação de um Banco Nacional de Preços.

Hauly descreveu a estratégia como um “pente-fino e grosso” nas despesas. A expressão é do assessor e não constitui estimativa independente de economia.

Entrevista: Folha detalha as propostas apresentadas por Luiz Carlos Hauly.

Previdência: campanha diz que não pretende mudar idade mínima

Hauly afirmou que a campanha não pretende alterar as regras centrais atuais da Previdência, como idade mínima para aposentadoria ou o vínculo de reajustes ao salário mínimo.

O assessor defendeu, em vez disso, medidas de eficiência arrecadatória, combate a fraudes e sonegação e melhora da gestão para reduzir o déficit previdenciário.

Isso diferencia a posição apresentada pela equipe de Cury de propostas que envolvem nova reforma paramétrica ou desindexação de benefícios.

Meta de equilíbrio fiscal fica mais ambiciosa

Na entrevista, Hauly disse acreditar que seria possível zerar o déficit primário no primeiro ano por meio de controle de despesas e melhora de arrecadação.

Essa é uma projeção da equipe de campanha, não uma previsão independente. Em fala anterior, o próprio Cury havia evitado prometer déficit zero imediato e dito que ainda precisava conhecer melhor a situação das contas públicas.

As duas declarações devem ser lidas em conjunto: o candidato havia sido cauteloso sobre a meta, enquanto seu assessor econômico apresentou depois uma estimativa mais ambiciosa para a execução do plano.

Fontes

Folha de S.Paulo / Band / Agência Estado via UOL ↗

https://www.band.com.br/politica/eleicoes/2026/cury-defende-mudancas-no-bolsa-familia-e-quer-criar-ministerio-da-ia-202608292154

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/augusto-cury-nao-detalha-planos-economicos-e-fala-em-taxar-bets-em-mais-de-50.shtml

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2026/09/10/irresponsabilidade-fiscal-do-governo-e-altissima-diz-cury.amp.htm

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2026/09/10/eu-nao-posso-falar-agora-quem-sera-meu-ministro-da-fazenda-diz-cury.htm

https://c-level.folha.uol.com.br/c-level-entrevista/2026/09/cury-fara-pente-fino-e-grosso-nos-gastos-mas-mexer-em-regras-da-previdencia-e-inaceitavel-diz-hauly.shtml