O governo federal prorrogou a subvenção ao óleo diesel no valor total de R$ 2,12 por litro, mantendo o nível atualmente praticado diante da persistência da volatilidade internacional do petróleo e dos combustíveis. A medida passa a valer neste domingo (27), segundo informação do Ministério da Fazenda divulgada neste sábado (26) e repercutida pela Reuters.
A pasta ressaltou que a portaria não aumenta o valor do benefício: ela preserva o total que já vinha sendo aplicado. O montante combina a subvenção anterior de R$ 1,12 por litro com a parcela adicional de R$ 1 por litro autorizada em setembro.
Atualização de 26/09: o Ministério da Fazenda informou que a manutenção do benefício busca responder à persistência da volatilidade dos preços internacionais do petróleo e dos combustíveis. A Reuters confirmou a edição da portaria neste sábado.
Petrobras recebeu R$ 2,3 bilhões em novas parcelas
A Petrobras informou na sexta-feira (25) que recebeu R$ 2,3 bilhões referentes à Subvenção Econômica à Comercialização de Diesel, relativos ao período de 16 a 31 de julho de 2026. Segundo a estatal, com esse pagamento o total acumulado recebido por ela nos programas de subvenção a óleo diesel, gasolina e GLP chegou a R$ 12,2 bilhões.
O pagamento é um fato distinto da definição do valor por litro vigente agora: ele se refere a uma etapa anterior do programa e mostra a execução financeira das subvenções já concedidas. O comunicado da companhia não diz que os R$ 12,2 bilhões correspondem apenas ao diesel.
Fonte primária: Petrobras informa recebimento de novas parcelas da subvenção do diesel.
Por que o governo decidiu manter a subvenção
O desenho mais recente do programa foi anunciado em 9 de setembro. Na ocasião, o governo autorizou uma nova subvenção de R$ 1 por litro para produtores e importadores de diesel rodoviário, com possibilidade de alterar, interromper ou prorrogar o valor conforme as condições de mercado e a disponibilidade orçamentária.
Na quinta-feira (24), o Ministério da Fazenda informou que o relatório fiscal do quarto bimestre já incorporava R$ 5 bilhões em crédito extraordinário relacionado à subvenção do diesel que o governo previa demandar mais adiante.
Fonte primária: Ministério da Fazenda detalha o mecanismo de subvenção ao diesel.
Petrobras já havia aderido à nova parcela de R$ 1
O conselho de administração da Petrobras aprovou em 19 de setembro a participação da estatal no novo programa federal de subvenção ao diesel. A companhia elevou em R$ 1 por litro o preço nominal do diesel A vendido às distribuidoras e, simultaneamente, passou a conceder um desconto de R$ 1 por litro dentro do programa. Na prática, o preço líquido pago pelas distribuidoras à Petrobras ficou inalterado naquela etapa da cadeia.
A nova parcela de R$ 1 foi desenhada para ser acumulada com o benefício anterior de R$ 1,12. Com a decisão anunciada agora, o governo mantém o total de R$ 2,12 por litro.
Medida reduz a pressão imediata, mas não garante queda igual nas bombas
A subvenção é aplicada na comercialização por produtores e importadores habilitados e precisa ser refletida no preço de venda conforme as regras do programa. Isso, porém, não significa automaticamente uma redução de R$ 2,12 no preço final ao consumidor: o valor nas bombas também depende de distribuição, revenda, mistura de biocombustíveis, tributos e condições regionais.
O governo justifica a continuidade do mecanismo pela volatilidade internacional. Mais de 25% do diesel consumido no Brasil é proveniente de importações, segundo o Ministério da Fazenda, o que deixa parte relevante do abastecimento exposta às cotações externas e aos custos internacionais de refino.
Importações seguem como ponto de atenção
Em meados de setembro, a diferença entre o preço doméstico da Petrobras e o custo de importação havia aumentado fortemente, desestimulando compras de empresas independentes. A subvenção reduziu essa pressão econômica, mas a evolução das cotações internacionais e o volume efetivamente contratado para os próximos meses continuam sendo indicadores relevantes para o abastecimento.
Não há confirmação de desabastecimento nacional. Relatos localizados de dificuldade de oferta não equivalem a uma falta generalizada de diesel, e a política de subvenção busca justamente preservar a previsibilidade do mercado enquanto persistir o choque externo.
A fotografia de capa mostra um posto de combustíveis da Petrobras na BR-343. A imagem é de Moacir Ximenes e está disponível no Wikimedia Commons sob licença CC BY 3.0 BR.
Fontes
Reuters / Ministério da Fazenda / ANP / Petrobras ↗
https://www.reuters.com/business/energy/, https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2026/setembro/governo-federal-adota-novas-medidas-para-combustiveis-frente-a-oscilacoes-do-petroleo, https://www.gov.br/fazenda/pt-br/assuntos/noticias/2026/setembro/governo-reduz-contencao-total-das-despesas-em-2026-para-r-16-1-bilhoes, https://www.gov.br/anp/pt-br/assuntos/precos-e-defesa-da-concorrencia/subvencao-a-comercializacao-de-oleo-diesel-rodoviario-2026, https://agencia.petrobras.com.br/w/negocio/petrobras-recebe-pagamento-de-novas-parcelas-do-programa-de-subven%C3%A7%C3%A3o-econ%C3%B4mica-do-diesel