A ENISA, agência de cibersegurança da União Europeia, recebeu acesso ao Mythos 5, modelo avançado de inteligência artificial da Anthropic, e já está testando o sistema, segundo um porta-voz da Comissão Europeia ouvido pela Reuters nesta quinta-feira, 10 de setembro.

O mesmo porta-voz afirmou que a agência também recebeu acesso ao GPT-6-Astra, modelo mais recente da OpenAI. A informação mostra que autoridades europeias estão começando a avaliar diretamente sistemas de fronteira em um momento de pressão crescente sobre riscos cibernéticos ligados à IA.

Confirmação: a Reuters informou, com base em declaração da Comissão Europeia, que a ENISA já testa o Mythos 5 e também recebeu acesso ao GPT-6-Astra.

Por que a ENISA quer acesso a esses modelos

A União Europeia apresentou em julho um plano específico para lidar com riscos e oportunidades de modelos avançados de IA na cibersegurança. O documento prevê ampliar a capacidade europeia de avaliação e criar condições mais estruturadas para que organizações públicas e privadas tenham acesso controlado a sistemas capazes de identificar vulnerabilidades e automatizar tarefas de segurança.

A preocupação tem dois lados. Modelos avançados podem ajudar equipes defensivas a encontrar falhas e corrigir sistemas mais rapidamente, mas capacidades semelhantes também podem ser usadas para automatizar ataques e aumentar a velocidade e a escala de incidentes.

Documento oficial: a Comissão Europeia descreve no plano de julho a criação de uma capacidade europeia para avaliar modelos avançados e facilitar acesso estruturado a essas tecnologias para fins de cibersegurança.

Mythos 5 e GPT-6-Astra entram no radar regulatório

O acesso não significa que a União Europeia tenha aprovado ou certificado os dois modelos. A informação disponível é mais limitada: a ENISA está testando o Mythos 5 e recebeu acesso ao GPT-6-Astra.

Essa distinção importa porque testes técnicos podem servir tanto para medir capacidade defensiva quanto para identificar riscos antes de decisões regulatórias ou operacionais mais amplas.

O movimento também se conecta ao AI Act, a legislação europeia de inteligência artificial. A Comissão afirma que modelos avançados e seus riscos devem ser avaliados e que a Europa precisa fortalecer sua capacidade independente de análise.

O que ainda não foi divulgado

A Comissão não detalhou publicamente, no anúncio citado pela Reuters, quais testes específicos a ENISA está executando, quais métricas serão usadas nem se haverá publicação de resultados comparativos entre os modelos.

Também não há, até o momento, indicação de que o acesso concedido à agência seja equivalente ao disponibilizado comercialmente para usuários ou empresas. Modelos voltados a cibersegurança podem operar sob controles e permissões diferentes justamente por terem capacidade maior de interagir com sistemas e código.

Para o mercado de IA, a novidade é menos sobre uma nova função de produto e mais sobre quem agora consegue examinar essas capacidades por dentro: uma agência pública especializada em cibersegurança da União Europeia.

Fontes

Reuters / Comissão Europeia ↗

https://www.reuters.com/technology/eus-cybersecurity-agency-granted-access-mythos-5-ai-model-commission-says-2026-09-10/ | https://commission.europa.eu/news-and-media/news/new-eu-plan-address-risks-and-opportunities-advanced-ai-cybersecurity-2026-07-07_en