A Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu dispositivos eletrônicos de um ex-executivo de vendas estratégicas do iFood em uma investigação sobre o possível download de informações comerciais confidenciais antes de sua saída da empresa para trabalhar na rival 99Food.
A operação ocorreu na quarta-feira (16). Segundo o delegado Angelo Lages, responsável pela investigação e ouvido pela Reuters, o objetivo da busca foi recolher equipamentos para análise forense e rastreamento do que aconteceu com os dados.
Fonte principal: Reuters — investigação sobre dados comerciais do iFood
O que está sob investigação
De acordo com o delegado, o ex-funcionário tinha acesso a informações sensíveis de clientes, incluindo volumes de vendas e perfis comerciais. Ele deixou o iFood em 2025 após informar que trabalharia na 99Food.
Uma revisão interna posterior teria identificado downloads de arquivos estratégicos pouco antes da saída. O iFood afirma que a operação desta semana decorre de uma denúncia apresentada pela companhia sobre o suposto furto de informações comerciais estratégicas e confidenciais.
As alegações ainda estão sob investigação. A apreensão dos equipamentos não equivale a uma conclusão de que houve crime nem comprova que as informações tenham sido repassadas a uma concorrente.
O ex-funcionário disse aos investigadores que não trabalha mais para a 99Food e atua atualmente como consultor independente, segundo o delegado. A polícia também busca descobrir se outras pessoas ou empresas tiveram acesso aos arquivos.
A 99Food afirmou à Reuters que leva o caso a sério, não tolera o uso de dados obtidos ilegalmente e que a pessoa alvo da operação não integra atualmente seu quadro de funcionários.
Disputa cresce no mercado brasileiro de delivery
O caso ocorre em meio à intensificação da concorrência no setor de entregas. Segundo dados da Abrasel citados pela Reuters, o iFood concentra aproximadamente 80% do mercado brasileiro, que movimentou cerca de US$ 20 bilhões em pedidos no ano passado.
A entrada e expansão de plataformas ligadas a grupos chineses elevou a disputa. A 99Food é controlada pela DiDi Global, enquanto a Keeta pertence à Meituan.
As empresas também protagonizam disputas concorrenciais no Cade. A Keeta acusa a 99Food de usar cláusulas de exclusividade que dificultariam a atuação de restaurantes em várias plataformas. Separadamente, o iFood pediu ao órgão que examine estratégias de expansão de 99Food e Keeta baseadas, segundo a empresa, em subsídios elevados e prejuízos sustentados para ganhar participação de mercado.
Essas acusações são processos distintos da investigação policial sobre o ex-funcionário e não demonstram, por si só, participação das concorrentes no eventual uso dos dados apreendidos.
Fontes
https://www.reuters.com/world/china/brazil-police-seize-devices-former-ifood-employee-trade-secrets-probe-2026-09-18/, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/ex-funcionario-do-ifood-e-alvo-de-operacao-no-rio-por-suspeita-de-espionagem-industrial.shtml
