A Meta confirmou no Connect 2026 o Ray-Ban Meta Audio, seu primeiro modelo de óculos de inteligência artificial sem câmera. O dispositivo começa em US$ 349, concentra a experiência em áudio e no assistente Muse e promete até 12 horas de bateria por carga, com até 48 horas adicionais no estojo.

O anúncio transforma em produto a expectativa que vinha sendo acompanhada nesta matéria. Sem câmera, o Meta Audio abre mão da interpretação visual do ambiente e da captura de fotos e vídeos, mas mantém música, podcasts, chamadas, tradução de fala e interação por voz com a IA.

Fonte primária: veja o anúncio oficial do Ray-Ban Meta Audio e da nova linha de óculos da Meta.

Preço, bateria e lançamento

Segundo a Meta, o Ray-Ban Meta Audio terá 23 combinações de cores e lentes em dois estilos, Clubmaster e Burbank. A empresa informa que os modelos são compatíveis com diferentes prescrições ópticas.

As vendas começam em outubro, com preço inicial de US$ 349. A Meta diz que os óculos alcançam até 12 horas de uso em uma carga e que o estojo pode acrescentar até 48 horas de autonomia.

A ausência de câmera também permitiu uma armação mais leve e discreta. A proposta é fazer do áudio e da IA a interface principal, em vez de usar o dispositivo como câmera vestível.

Muse vira peça central da estratégia

A Meta anunciou que o Muse, seu agente pessoal de IA, será integrado aos óculos. A companhia apresenta o sistema como uma forma de executar tarefas, organizar objetivos e interagir com serviços sem usar as mãos.

Isso amplia a disputa pelo próximo formato de computação pessoal: em vez de depender apenas do smartphone, a Meta tenta colocar o assistente de IA diretamente em um acessório usado ao longo do dia.

Privacidade passou ao centro da disputa

O modelo sem câmera chega enquanto os wearables capazes de gravar discretamente enfrentam resistência em diferentes ambientes. Restaurantes, pubs, teatros e órgãos públicos passaram a discutir ou adotar restrições a dispositivos com câmera, com foco em consentimento e captura em espaços sensíveis.

A Reuters já havia apontado esse contexto antes do Connect. Na Austrália, por exemplo, o governo passou a avaliar restrições a óculos inteligentes com câmera em prédios públicos.

Retirar a câmera não elimina todas as questões de privacidade ligadas a assistentes de voz e processamento de dados, mas remove justamente a capacidade de registrar imagens e vídeos que alimentou parte relevante das críticas à categoria.

Meta também atualizou os óculos com câmera

A companhia não abandonou a linha visual. No mesmo evento, apresentou o Ray-Ban Meta Gen 3, com câmera de 12 MP, gravação em 3K, conjunto de seis microfones e bateria anunciada de até nove horas.

A Meta também ampliou estilos e faixas de preço da família de óculos e informou que pretende levar seus modelos a mais mercados. Segundo o anúncio oficial, o Brasil está entre os países que devem receber a expansão da linha em uma etapa futura, ainda sem data específica divulgada.

A estratégia passa, portanto, a ter duas frentes claras: óculos com câmera para recursos visuais e captura do ambiente, e o Ray-Ban Meta Audio como alternativa centrada em som e IA para quem prefere uma experiência sem gravação visual.

Fontes

Meta / Reuters / TechCrunch ↗

https://about.fb.com/news/2026/09/introducing-ray-ban-meta-audio-glasses-new-styles-plus-muse/

https://www.reuters.com/business/meta-expected-unveil-smart-glasses-without-camera-privacy-concerns-grow-2026-09-23/

https://techcrunch.com/2026/09/23/meta-introduces-camera-free-ai-glasses/

https://www.reuters.com/business/media-telecom/australia-considers-banning-use-smart-glasses-government-buildings-2026-09-17/