A Agência Espacial Europeia (ESA) confirmou nesta segunda-feira, 31 de agosto, a reentrada do satélite Samba, também conhecido como Cluster 3 (CLU3), na atmosfera terrestre. Segundo a atualização oficial da agência, a reentrada ocorreu às 21h39min38s UTC, equivalente a 18h39min38s no horário de Brasília.

O evento aconteceu sobre uma região remota do Pacífico Sul, escolhida previamente para reduzir riscos em solo. Pouco depois, a equipe da campanha aérea ROSIE informou à ESA que conseguiu observar a reentrada com todas as câmeras de rastreamento previstas para a operação.

O que aconteceu com o Samba

Samba era um dos quatro satélites da missão Cluster, lançada pela ESA em 2000 para estudar o ambiente magnético da Terra e a interação entre o vento solar e a magnetosfera.

A agência havia ajustado a trajetória do satélite com antecedência para realizar uma reentrada direcionada em uma área pouco povoada do oceano. Esse tipo de operação não significa que o satélite seja pilotado durante a queda: as manobras são feitas meses antes para que a órbita leve naturalmente o veículo até uma região previamente calculada.

Na última atualização antes do evento, a ESA previa a reentrada para 21h39min38s UTC, com incerteza de apenas dez segundos. A confirmação posterior registrou exatamente esse horário. O último sinal recebido do Samba pela estação de Kourou, na Guiana Francesa, havia sido perdido às 23h26 no horário da Europa Central, cerca de 13 minutos antes da reentrada.

Reentrada também virou experimento científico

A destruição do Samba na atmosfera foi tratada como uma oportunidade de pesquisa. Uma aeronave partiu de Tonga levando cerca de 30 instrumentos apontados para a região prevista da reentrada.

A campanha busca estudar como diferentes materiais aquecem, se fragmentam, derretem e vaporizam durante a descida. Esses dados podem ajudar no desenvolvimento de satélites projetados para se desintegrar de maneira mais completa no fim da vida útil, reduzindo o risco de fragmentos atingirem o solo e contribuindo para estratégias de mitigação de detritos espaciais.

À 0h15 de 1º de setembro no horário da Europa Central, a equipe informou que obteve observação visual em todas as câmeras de rastreamento. A ESA afirmou que imagens e dados científicos ainda precisarão ser transmitidos e analisados após o retorno da aeronave a Tonga.

Tango será o último da missão Cluster

Samba é o terceiro dos quatro satélites Cluster a deixar a órbita. Salsa (Cluster 2) reentrou em setembro de 2024 e Rumba (Cluster 1) em 2025.

O último, Tango (Cluster 4), está previsto para reentrar em 1º de setembro de 2026, também sobre o Pacífico Sul. Na atualização mais recente da ESA, a previsão era de 21h30min31s UTC, ainda sujeita a refinamento.

Embora as operações científicas da missão Cluster tenham terminado em 2024, a sequência de reentradas oferece à ESA uma oportunidade rara de comparar a destruição atmosférica de quatro satélites praticamente idênticos em condições diferentes.

Fontes

  • ESA — Rocket Science: live blog oficial das reentradas finais de Samba e Tango, com confirmação do horário da reentrada e da observação aérea.
  • ESA — Space Safety: explicação da campanha aérea de observação e dos objetivos científicos.
  • ESA — Rocket Science: planejamento das reentradas direcionadas de 31 de agosto e 1º de setembro de 2026.

Fontes

ESA ↗

https://blogs.esa.int/rocketscience/2026/08/30/final-cluster-reentries-live-blog/

https://www.esa.int/Space_Safety/Space_Debris/Observing_Samba_and_Tango_s_reentries

https://blogs.esa.int/rocketscience/2026/08/24/final-cluster-reentries-31-aug-1-sept-2026/