O X começou nesta terça-feira, 8 de setembro, a migração de criadores do antigo Creator Revenue Sharing para o novo Original Content Rewards Program, sistema que passa a concentrar pagamentos ligados a conteúdo original publicado na plataforma.
A mudança tem um detalhe importante para creators brasileiros: o Brasil não aparece na lista atual de países onde o novo programa está disponível, segundo a própria página oficial de suporte do X consultada pelo AVATIX News nesta terça-feira.
Isso significa que um criador baseado no Brasil não deve assumir que poderá simplesmente migrar para o novo programa porque já recebia ou atendia critérios do modelo anterior. A disponibilidade geográfica é um requisito separado.
Fonte primária: o X detalha aqui as regras, critérios e países disponíveis no Original Content Rewards.
O que mudou em 8 de setembro
O antigo Creator Revenue Sharing deixou de aceitar novas inscrições em 7 de agosto e acumulou ganhos para participantes existentes somente até 7 de setembro.
Segundo o X, a partir de 8 de setembro começa a liberação gradual para que integrantes do programa antigo possam solicitar entrada no Original Content Rewards. O pagamento final referente ao Revenue Sharing anterior é esperado pela empresa para aproximadamente 11 de setembro.
A migração não é automática. Mesmo quem já participava precisa atender aos critérios do novo programa e enviar uma solicitação.
Brasil não está na lista oficial atual
A página de suporte do Original Content Rewards publica uma lista nominal dos países em que o programa está disponível.
Na seção correspondente à América do Sul, aparecem países como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru e Uruguai. Brasil não aparece na relação consultada em 8 de setembro.
A ausência é relevante porque a própria plataforma estabelece como primeiro critério de elegibilidade estar baseado em um país atendido pelo programa.
Isso pode mudar: o X diz que pode modificar o Original Content Rewards e suas condições. Até que a empresa inclua explicitamente o Brasil, porém, a documentação oficial não sustenta tratar o programa como disponível para creators brasileiros.
Quais são os outros requisitos
Para solicitar entrada, o X exige que o criador tenha 18 anos ou mais, conta pessoal ou empresarial em situação regular, assinatura ativa do X Premium, Premium+ ou Premium Business, pelo menos 500 seguidores verificados e 500 mil impressões na Home Timeline vindas de usuários verificados nos últimos 90 dias.
Impressões em respostas não entram nesse requisito. Cumprir os números também não garante aprovação: o X informa que analisará a solicitação e prevê resposta em até três dias úteis.
Contas de organizações políticas ou governamentais não podem participar.
O que passa a gerar dinheiro
A principal mudança é que a remuneração passa a ser ligada a impressões qualificadas de conteúdo considerado original.
O X define como qualificadas as impressões únicas de assinantes Premium na Home Timeline em que pelo menos metade do post ficou visível. Impressões pagas, fraudulentas ou artificialmente geradas são excluídas.
A plataforma diz aceitar como original não apenas material produzido integralmente do zero, mas também comentário, análise, reação e contexto quando o criador acrescenta contribuição própria relevante.
Por outro lado, cópias, reuploads de outros criadores, agregações sem contribuição substancial e modificações mínimas — como apenas trocar velocidade, filtro, legenda ou sobreposição de texto — não são consideradas originais para fins de pagamento.
Reposts e conteúdo automatizado ficam sob regras mais duras
O programa também exclui conteúdo criado ou publicado por meios automatizados e proíbe uso de bots ou ferramentas para fabricar curtidas, visualizações, comentários ou compartilhamentos.
Posts com uma Community Note considerada útil também ficam inelegíveis para remuneração pelo programa, assim como conteúdo classificado pela plataforma como enganoso.
O X proíbe ainda a solicitação repetitiva de engajamento, como instruções para usuários curtirem, repostarem, salvarem ou seguirem a conta apenas para manipular métricas.
E o X Money?
Nos Estados Unidos, pagamentos do Original Content Rewards são processados pelo X Money. Para participantes elegíveis fora dos EUA, a documentação aponta o Stripe e verificação de identidade como infraestrutura de pagamento.
Essa regra de pagamento, porém, só entra em cena depois da elegibilidade geográfica. Como o Brasil não consta atualmente entre os países disponíveis, a existência do fluxo internacional via Stripe não deve ser interpretada como confirmação de acesso ao programa no país.
A distinção corrige uma possível confusão provocada pela transição: o X mantém mecanismos internacionais de pagamento, mas a lista de mercados habilitados para o novo Original Content Rewards é mais restrita.
O que creators brasileiros devem observar agora
Para quem cria conteúdo no Brasil, o ponto principal é acompanhar a própria página oficial do programa antes de alterar estratégia ou contar com a receita do X.
O início da migração em 8 de setembro é real, mas não representa um lançamento global irrestrito. Até nova atualização da empresa, creators brasileiros estão fora da lista publicada de países elegíveis para o Original Content Rewards.
Fontes
https://help.x.com/en/using-x/original-content-rewards | https://help.x.com/en/using-x/creator-revenue-sharing | https://help.x.com/en/rules-and-policies/content-monetization-standards | https://commons.wikimedia.org/wiki/File:X_(Twitter)_Headquarters,_San_Francisco_-_Debadged.jpg
