O Datafolha divulga nesta quinta-feira, 3 de setembro, uma nova pesquisa sobre a corrida presidencial — e a comparação com a rodada anterior pode mostrar uma fotografia muito diferente da disputa.

O levantamento começou a ser realizado na segunda-feira, 31 de agosto, e prevê 1.204 entrevistas.

Será a primeira pesquisa do instituto feita depois do debate presidencial da Band de 23 de agosto e do início da propaganda eleitoral em rádio e televisão.

Também será o primeiro grande teste do Datafolha depois do crescimento de Augusto Cury registrado por outros institutos.

A base de comparação é muito baixa para Cury

Na pesquisa Datafolha anterior, Lula aparecia com 39% e Flávio Bolsonaro, com 33%.

Augusto Cury tinha apenas 2%.

Desde então, levantamentos de outros institutos passaram a colocá-lo em patamares de dois dígitos.

No Real Time Big Data divulgado em 1º de setembro, por exemplo, Cury chegou a 11% em um dos cenários de primeiro turno.

Isso significa que mesmo uma alta moderada no Datafolha produzirá uma variação visualmente grande em relação aos 2% anteriores.

A pergunta será se o instituto confirma o movimento observado em outras pesquisas ou se encontra um crescimento menor.

Debate da Band é outro teste

O debate foi um dos principais eventos da campanha até aqui.

Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema não compareceram.

Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury tiveram maior espaço para se apresentar ao eleitor.

Cury saiu do evento com aumento de atenção nas redes e passou a ser tratado por adversários e analistas como possível candidato competitivo pelo terceiro lugar.

Renan também ganhou exposição, embora sua maior explosão de buscas tenha ocorrido dias depois, durante a crise com Dias Toffoli.

O caso Renan pode aparecer apenas parcialmente

A pesquisa começou na segunda-feira, 31 de agosto.

A suspensão da campanha de Renan, a enorme repercussão digital e a reversão das principais restrições aconteceram dentro da janela de campo.

Por isso, o levantamento pode capturar parte da movimentação, mas não necessariamente todo o efeito.

Se Renan aparecer em alta, ainda será cedo para atribuir a mudança exclusivamente ao episódio judicial.

Se não subir, também não será possível concluir imediatamente que a repercussão não teve efeito, porque parte das entrevistas pode ter ocorrido antes do pico de atenção.

A rodada seguinte será metodologicamente mais limpa para medir o pós-crise.

Flávio e Lula continuam sendo o eixo principal

Apesar do crescimento dos candidatos de segundo pelotão, Lula e Flávio seguem como os dois nomes centrais da disputa nacional.

Na rodada anterior do Datafolha, um eventual segundo turno mostrava Lula com 47% e Flávio com 43%.

A nova pesquisa será importante para observar três pontos:

  • se a diferença entre os dois se alterou;
  • se a rejeição de algum deles aumentou ou diminuiu;
  • se o avanço de terceiros candidatos está tirando voto principalmente de um lado.

Uma mudança no primeiro turno não se traduz automaticamente no mesmo movimento de segundo turno.

Rejeição pode ser tão importante quanto intenção de voto

O Datafolha também medirá rejeição.

À medida que a eleição se aproxima, esse indicador passa a importar mais porque revela o teto potencial de cada candidatura.

Um candidato pode crescer rapidamente e, ao mesmo tempo, aumentar sua rejeição à medida que se torna mais conhecido.

Cury será especialmente interessante nesse ponto: ele passou boa parte da pré-campanha com menor exposição e agora entra no radar nacional.

Renan vive situação semelhante, mas por um caminho mais polarizador.

Governo Lula entra no pacote

A avaliação do governo também será medida.

Esse número ajuda a entender quanto do voto em Lula está ligado à aprovação da gestão e quanto da oposição ao presidente se organiza ao redor de Flávio ou de alternativas.

Uma piora na avaliação pode aumentar o custo eleitoral da reeleição.

Uma melhora tende a reforçar a capacidade de Lula manter vantagem no primeiro turno.

O que não fazer quando o resultado sair

A pesquisa será uma fotografia, não uma previsão de outubro.

Diferenças dentro da margem de erro precisam ser tratadas como tal.

E variações pequenas entre duas rodadas podem ocorrer por oscilação amostral, não necessariamente por um evento específico de campanha.

O ponto mais informativo será observar movimentos consistentes entre Datafolha e outros institutos, especialmente no terceiro lugar e nas rejeições.

Quando os números saírem, o AVATIX News deve comparar a nova rodada com o levantamento anterior usando exatamente os mesmos cenários, evitando misturar listas diferentes de candidatos.

Fontes

Folha de S.Paulo ↗

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/datafolha-divulga-nesta-quinta-3-nova-pesquisa-sobre-eleicao-presidencial.shtml