Uma nova pesquisa Datafolha mostra uma percepção aparentemente contraditória — mas politicamente relevante — sobre o Supremo Tribunal Federal (STF): 76% dos brasileiros dizem que os ministros da Corte têm poder excessivo, enquanto 71% consideram o tribunal essencial para a democracia.
O levantamento foi realizado entre 8 e 10 de setembro de 2026, com 2.002 entrevistados em 125 municípios, e está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-01833/2026.
Fonte: a Folha de S.Paulo publicou os resultados do Datafolha.
Crítica ao poder não equivale a rejeição da Corte
Os números indicam que a insatisfação com a atuação dos ministros não se traduz automaticamente em apoio ao enfraquecimento institucional do Supremo. A mesma amostra que aponta excesso de poder também mantém maioria clara em defesa da importância do STF para o regime democrático.
O Datafolha registrou ainda deterioração na confiança: 77% afirmam que a confiança no tribunal diminuiu ao longo do tempo.
Essa combinação ajuda a separar duas discussões que frequentemente aparecem misturadas no debate político: uma é a avaliação sobre decisões, conduta e extensão do poder individual dos ministros; outra é a percepção sobre a necessidade de existir uma Suprema Corte com papel constitucional relevante.
Pesquisa ocorre durante crise no Supremo
O levantamento foi feito em meio à crise envolvendo ministros do STF e os desdobramentos do caso Banco Master, que ampliaram o debate público sobre decisões monocráticas, sigilo, vazamentos e os limites de atuação dos integrantes da Corte.
As respostas também variam conforme o alinhamento político dos entrevistados. Segundo o Datafolha, a percepção de excesso de poder é ainda maior entre eleitores identificados com o bolsonarismo, enquanto eleitores de Lula demonstram maior tendência a enxergar o Supremo como defensor da democracia.
O resultado, portanto, não aponta simplesmente para uma opinião pública “contra” ou “a favor” do STF. Ele mostra um eleitorado majoritariamente crítico à quantidade de poder exercida pelos ministros, mas que ao mesmo tempo preserva apoio à função institucional da Corte.
O que o dado pode significar na eleição
O papel do Supremo já ocupa espaço importante na campanha de 2026. Candidatos e aliados discutem desde propostas de mudança nas regras de decisões individuais até impeachment de ministros e alterações na relação entre Senado, Presidência e Judiciário.
Nesse cenário, os números do Datafolha sugerem espaço eleitoral para críticas à atuação do STF, mas também indicam um limite: defender mudanças na Corte não é necessariamente o mesmo que defender sua deslegitimação ou redução de seu papel constitucional.
A pesquisa se torna especialmente relevante porque mede essas duas percepções na mesma rodada e em um momento de elevada exposição política do tribunal.
Fontes
Folha de S.Paulo / Datafolha ↗
Folha de S.Paulo / Datafolha — pesquisa sobre percepção do STF, publicada em 12 de setembro de 2026: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/datafolha-76-dizem-que-ministros-do-stf-tem-poder-excessivo.shtml
