A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto de 2026, equivalente a cerca de R$ 11,1 trilhões, segundo dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira (30). O indicador avançou 0,3 ponto percentual em relação a julho e chegou ao maior nível em cinco anos.
A DBGG reúne as dívidas do Governo Federal, do INSS e dos governos estaduais e municipais. É uma das principais referências usadas para acompanhar a trajetória do endividamento público brasileiro.
Fonte primária: o Banco Central reúne os dados mensais de resultado fiscal e endividamento na página de Estatísticas Fiscais.
Dívida líquida também avançou
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), que desconta ativos públicos como as reservas internacionais, chegou a aproximadamente R$ 9,24 trilhões, ou 69,3% do PIB. Em julho, a proporção estava em 69,1%.
O movimento mantém a tendência de alta do endividamento ao longo de 2026. A dívida bruta acumulou avanço de 4,2 pontos percentuais do PIB no ano, segundo os números divulgados pelo BC e repercutidos pela imprensa econômica.
Setor público teve déficit de R$ 10 bilhões
O setor público consolidado — que reúne Governo Central, estados, municípios e empresas estatais consideradas na estatística — registrou déficit primário de cerca de R$ 10 bilhões em agosto. No mesmo mês de 2025, o resultado havia sido negativo em R$ 17,3 bilhões.
O resultado primário mede receitas menos despesas antes do pagamento de juros. Separadamente, as empresas estatais incluídas no levantamento tiveram superávit próximo de R$ 2 bilhões, o melhor resultado para um mês de agosto em duas décadas, de acordo com a CNN Brasil com base no relatório do Banco Central.
Por que o número importa
A relação entre dívida e PIB ajuda a medir o peso do endividamento em comparação com o tamanho da economia. Uma trajetória persistente de alta pode elevar a atenção de investidores e agências de classificação de risco sobre a capacidade de estabilização das contas públicas, especialmente quando juros permanecem elevados.
O dado isolado de um mês, porém, não define sozinho a sustentabilidade fiscal. A evolução depende também do crescimento nominal da economia, do resultado primário, do custo dos juros, de emissões e resgates de dívida e de outros ajustes contábeis e cambiais.
O que acompanhar
Os próximos relatórios do Banco Central mostrarão se a relação dívida/PIB continua avançando na reta final de 2026. Também entram no radar o desempenho das receitas e despesas federais, o custo dos juros e o ritmo da atividade econômica, fatores que podem alterar a trajetória do indicador.
Fontes
Banco Central / Folha de S.Paulo / CNN Brasil ↗
https://www.bcb.gov.br/estatisticas/estatisticasfiscais, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/divida-bruta-do-brasil-atinge-829-do-pib-em-agosto-maior-nivel-em-5-anos-mostra-bc.shtml, https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/bc-estatais-tem-superavit-de-r-2-bi-em-agosto-maior-em-20-anos/
