A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) subiu para 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em julho de 2026, ante 81,9% em junho, segundo dados divulgados pelo Banco Central na segunda-feira (31). O estoque chegou a aproximadamente R$ 10,9 trilhões.

O percentual é o maior desde abril de 2021, quando a dívida estava em 82,6% do PIB. No acumulado de 2026, a relação entre dívida e PIB avançou 3,9 pontos percentuais.

O movimento reforça a pressão das contas públicas em um momento em que juros elevados aumentam o custo de carregamento da dívida e o tema fiscal ganha espaço no debate econômico e eleitoral.

O que puxou a dívida para cima

Segundo os dados do Banco Central, a alta de 0,6 ponto percentual entre junho e julho teve como principal fator a apropriação de juros nominais, que adicionou cerca de 0,8 ponto percentual ao indicador.

As emissões líquidas de dívida também contribuíram para o avanço. Na direção contrária, o crescimento nominal do PIB ajudou a reduzir parcialmente a relação dívida/PIB.

A DBGG reúne obrigações do governo federal, do INSS e dos governos estaduais e municipais. Ela é uma das principais referências usadas pelo mercado para acompanhar a trajetória do endividamento público brasileiro.

Setor público teve superávit primário em julho

Apesar do aumento da dívida, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$ 1,36 bilhão em julho. O resultado ficou abaixo da expectativa de R$ 5,6 bilhões apontada em pesquisa da Reuters com economistas.

O Governo Central apresentou superávit de cerca de R$ 11 bilhões, enquanto estados e municípios tiveram déficit de R$ 8,5 bilhões. As empresas estatais registraram déficit de aproximadamente R$ 1,1 bilhão.

O resultado primário considera receitas e despesas antes do pagamento de juros. Por isso, um saldo positivo no mês não significa necessariamente queda da dívida quando o custo financeiro continua elevado.

Juros seguem pesando nas contas públicas

Em 12 meses até julho, os juros nominais do setor público somaram aproximadamente R$ 1,15 trilhão, equivalentes a 8,67% do PIB. No mesmo período, o déficit nominal — que inclui o resultado primário e os juros — ficou em torno de R$ 1,24 trilhão, ou 9,34% do PIB.

A dívida líquida do setor público também subiu, passando de 68,5% para 69,1% do PIB entre junho e julho.

Esses números ajudam a explicar por que a trajetória fiscal permanece no centro das discussões sobre juros, crescimento e confiança na economia brasileira.

Por que 82,5% chama atenção

A comparação histórica exige cautela: a dívida atingiu níveis ainda maiores durante a pandemia, quando houve gastos extraordinários para enfrentar a crise sanitária. Mesmo assim, o retorno ao patamar observado em 2021 mostra que o endividamento voltou a subir de maneira relevante.

O dado também não significa, isoladamente, que o país esteja diante de uma crise fiscal imediata. A sustentabilidade da dívida depende de um conjunto de fatores, como crescimento econômico, taxa de juros, resultado primário, perfil dos títulos e capacidade de financiamento do governo.

O que os números de julho mostram é que, mesmo com superávit primário no mês, o peso dos juros continuou suficiente para ampliar o endividamento em relação ao tamanho da economia.

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Fontes

Banco Central do Brasil ↗

https://www.bcb.gov.br/estatisticas/estatisticasfiscais, https://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2026/08/31/divida-bruta-brasileira-atinge-825-do-pib-em-julho.htm/, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/divida-bruta-brasileira-atinge-825-do-pib-em-julho.shtml