O Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos (Ex-Im Bank) planeja financiar até US$ 7 bilhões em projetos de minerais críticos e energia na Argentina, segundo um documento obtido pela Reuters.

O pacote deve ser anunciado em Nova York nesta quarta-feira (23), durante a Assembleia Geral da ONU. A iniciativa aprofunda a cooperação econômica entre Washington e Buenos Aires e ocorre enquanto os Estados Unidos buscam ampliar o acesso a minerais e fontes de energia no Hemisfério Ocidental.

Fonte: a Reuters detalha o documento e o pacote de financiamento.

O que o financiamento pode fazer

De acordo com a Reuters, os recursos do Ex-Im Bank poderão permitir que empresas com projetos na Argentina obtenham empréstimos para comprar equipamentos de fabricantes americanos, entre outros usos, ao longo dos próximos dois anos.

O valor de até US$ 7 bilhões é, portanto, uma previsão de capacidade de financiamento, e não significa que todo o montante já tenha sido desembolsado ou distribuído entre projetos específicos.

A Argentina reúne grandes reservas de lítio, além de petróleo e gás de xisto e outros recursos minerais. O país integra, com Chile e Bolívia, o chamado Triângulo do Lítio, região estratégica para cadeias de baterias, veículos elétricos, eletrônicos e outras tecnologias.

Aproximação entre Washington e Buenos Aires

A iniciativa ocorre em meio à aproximação dos governos de Donald Trump e Javier Milei. Em fevereiro, Estados Unidos e Argentina anunciaram um acordo preferencial de comércio e investimentos que inclui cooperação em minerais críticos, mas que ainda depende de ratificação pelo Congresso argentino.

O governo Milei também tenta atrair capital para mineração, energia e infraestrutura por meio do Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI).

Entre as companhias internacionais já presentes no país estão a Rio Tinto, com operações de lítio; a BHP, que desenvolve projeto de cobre; e a Chevron, com negócios de petróleo e gás de xisto.

Por que minerais críticos ganharam peso estratégico

Lítio e cobre são insumos relevantes para baterias, redes elétricas e eletrificação. A disputa por cadeias de suprimento também tem dimensão geopolítica, com países buscando reduzir dependências externas em materiais considerados estratégicos.

Segundo o ministro argentino da Mineração, Luis Lucero, em estimativa dada anteriormente à Reuters, a Argentina poderia alcançar em 2036 exportações anuais de 580 mil toneladas de lítio e 1,641 milhão de toneladas de cobre — projeções, e não produção já contratada.

O anúncio previsto para quarta-feira deve esclarecer quais projetos poderão acessar a linha e como o pacote será operacionalizado.

Fontes

Reuters ↗

Reuters — documento e detalhes do financiamento: https://www.reuters.com/business/energy/us-fund-7-billion-argentina-mineral-energy-projects-document-shows-2026-09-23/

Wikimedia Commons — Salar del Rincón, Daniel P. Gauer, CC BY 2.0: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Salar_del_Rincon,_Ruta51_(5443123025).jpg