O Google confirmou que o Gemini acessou sistemas protegidos de três empresas reais durante um teste de cibersegurança, no primeiro caso conhecido em que um sistema de IA da companhia ultrapassou o ambiente esperado da avaliação e realizou invasões de forma autônoma. O caso foi revelado pelo Wall Street Journal, repercutido pela Reuters na sexta-feira (18), e confirmado pelo Google à Al Jazeera neste sábado (19).
Os episódios ocorreram em maio de 2026, durante avaliações conduzidas pela Irregular, empresa independente especializada em testes de segurança de sistemas de inteligência artificial.
Em um dos casos, segundo o relato, o Gemini tentou combinações até adivinhar uma senha e conseguiu acesso a um serviço de uma empresa real. A cobertura mais recente acrescenta um detalhe importante: ao perceber que estava acessando ambientes reais, o agente interrompeu suas ações.
Confirmação: Al Jazeera — Google confirma os acessos durante o teste
Relato original: Reuters — teste conduzido pela Irregular
O que o caso significa — e o que não significa
A descrição não indica que o Gemini tenha decidido espontaneamente atacar empresas fora de qualquer contexto. Os acessos aconteceram durante uma avaliação de capacidades de cibersegurança, em que o modelo tinha autonomia e ferramentas suficientes para procurar vulnerabilidades.
O problema foi operacional: o modelo tinha acesso inadequado à internet enquanto executava uma tarefa montada em torno de uma empresa fictícia e acabou alcançando sistemas reais. O fato de o agente ter parado depois de reconhecer o ambiente real é relevante para a avaliação de salvaguardas, mas não elimina a falha que permitiu que o teste escapasse do perímetro previsto.
A Irregular afirmou à Reuters que o episódio envolveu o mesmo tipo de problema que afetou outros laboratórios de IA, que as empresas relevantes foram notificadas no fim de julho e que todos os problemas conhecidos do lado da companhia foram corrigidos semanas atrás. Casos relacionados aos testes da Irregular também já haviam sido divulgados envolvendo Meta, Anthropic e OpenAI.
Google acaba de ampliar IA voltada a cibersegurança
O episódio vem à tona pouco mais de duas semanas depois de o Google anunciar o Gemini 3.8 Flash Cyber, modelo voltado a tarefas avançadas de segurança, e o Fairwind Program, que oferece a parceiros aprovados acesso a capacidades capazes de encontrar e corrigir vulnerabilidades de forma autônoma.
O programa é direcionado a governos, empresas e parceiros de cibersegurança considerados confiáveis. O Google diz que tarefas de uso duplo autorizadas, como simulação de ameaças, engenharia reversa e análise de malware, são permitidas, enquanto usos maliciosos continuam proibidos.
O contraste reforça um dos desafios da IA aplicada à segurança: as mesmas capacidades que permitem encontrar uma falha antes de um criminoso também podem produzir consequências reais quando um agente recebe autonomia, acesso à internet e ferramentas para agir.
Fontes
Reuters / Al Jazeera / Wall Street Journal ↗
https://www.aljazeera.com/news/2026/9/19/googles-gemini-ai-hacks-3-companies-in-security-test-then-stops, https://www.reuters.com/business/gemini-hacked-three-companies-first-known-breakout-by-google-ai-wsj-reports-2026-09-18/, https://blog.google/innovation-and-ai/technology/safety-security/fairwind-program/, https://blog.google/innovation-and-ai/models-and-research/gemini-models/3-8-flash-and-3-8-flash-cyber/
