O fundador e CEO da Nvidia, Jensen Huang, pediu nesta quarta-feira, 2 de setembro, que os países do G20 evitem criar regras para inteligência artificial baseadas em riscos apenas hipotéticos e concentrem a regulação em problemas concretos associados ao uso da tecnologia.
A declaração foi feita durante um encontro do G20 voltado a tecnologia em Chapel Hill, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Segundo a Reuters, Huang afirmou que governos deveriam evitar regras orientadas por danos "teóricos" e trabalhar sobre situações reais que exijam resposta regulatória.
A fala não representa uma decisão do G20 nem uma nova regra internacional. Trata-se da posição defendida pelo executivo da Nvidia em meio à discussão entre governos e empresas sobre como regular sistemas de IA em rápida evolução.
O que Jensen Huang defendeu
A mensagem de Huang se aproxima da posição apresentada pelo governo dos Estados Unidos no encontro. Na terça-feira, 1º de setembro, o assessor de tecnologia da Casa Branca Michael Kratsios afirmou que os EUA querem convencer outros integrantes do G20 a evitar a criação de estruturas regulatórias inteiramente novas para a IA.
A proposta americana é concentrar novas regras em situações consideradas novas ou específicas da tecnologia, em vez de estabelecer uma camada ampla de exigências para todos os sistemas e aplicações de inteligência artificial.
Essa orientação foi apresentada no encontro como parte dos chamados Carolina Principles, conjunto de princípios defendido pelos Estados Unidos para a política internacional de IA.
Empresas pressionam por menos restrições
O debate ocorre enquanto grandes companhias de tecnologia tentam influenciar a forma como governos estão estruturando regras para modelos avançados de IA.
A Reuters observa que exigências regulatórias podem afetar o ritmo de lançamento de novos modelos e obrigar empresas a alterar produtos para cumprir requisitos de segurança. Por isso, a posição das empresas deve ser entendida também dentro de seus interesses comerciais no setor.
Além de Huang, o encontro desta quarta-feira prevê participações de executivos como Sam Altman, da OpenAI, e Tom Brown, da Anthropic. Outros líderes da indústria participaram das discussões iniciadas na terça-feira.
Regulação de IA continua dividindo governos
A defesa de uma abordagem mais restrita à regulação contrasta com modelos adotados ou discutidos em outras regiões, especialmente na União Europeia, que implementou regras abrangentes baseadas em categorias de risco.
Ao mesmo tempo, incidentes de cibersegurança e o crescimento das capacidades de modelos avançados mantêm pressão por mecanismos de avaliação e proteção. O debate, portanto, não está restrito a uma escolha entre regular ou não regular, mas também a quais riscos devem gerar novas obrigações e em que momento.
Até agora, o encontro do G20 não produziu uma norma internacional obrigatória a partir da proposta defendida por Huang. Qualquer mudança concreta dependerá das decisões dos governos e dos processos regulatórios de cada país ou bloco.
O AVATIX News acompanha as principais mudanças em inteligência artificial na editoria de Tecnologia e IA, incluindo atualizações sobre segurança de modelos avançados e novas regras que afetam empresas e usuários.
Fontes
- Reuters, 2 de setembro de 2026 — cobertura das declarações de Jensen Huang no encontro tecnológico do G20 em Chapel Hill.
- Reuters, 1º de setembro de 2026 — contexto sobre a proposta americana para regulação de IA e os Carolina Principles discutidos no encontro.
