Os Estados Unidos pressionaram nesta terça-feira, 1º de setembro, integrantes do G20 a adotar uma abordagem mais cautelosa na criação de novas regras para inteligência artificial.
A proposta foi apresentada durante o G20 Innovation Ministerial, encontro de dois dias realizado em Chapel Hill, na Carolina do Norte, e organizado pelo Departamento de Comércio dos EUA em conjunto com o Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca.
No centro da discussão estão os chamados “Carolina Principles”, conjunto de princípios defendido pelo governo americano para orientar políticas públicas ligadas à IA e a outras tecnologias emergentes.
O que os Estados Unidos estão propondo
Segundo a Reuters, o assessor de ciência e tecnologia da Casa Branca Michael Kratsios defendeu diante dos representantes do G20 que novas regulações sejam reservadas a situações realmente novas, em vez de se presumir que cada avanço tecnológico precise automaticamente de uma estrutura regulatória própria.
A proposta também incentiva investimentos em pesquisa fundamental, desenvolvimento científico e oportunidades comerciais relacionadas a tecnologias emergentes.
Uma autoridade da Casa Branca ouvida pela Reuters afirmou ainda que os Estados Unidos não querem que o avanço da IA resulte automaticamente na criação de novos organismos internacionais de regulação.
Isso não significa que o G20 tenha aprovado uma política comum ou abolido regras existentes. Nesta terça-feira, os Carolina Principles representam a posição defendida pelo governo dos EUA nas negociações.
Reunião reúne governos e líderes de tecnologia
O Departamento de Comércio americano confirmou oficialmente que o G20 Innovation Ministerial acontece em 1º e 2 de setembro de 2026 no Carolina Inn, em Chapel Hill, com representantes de mais de 20 países e economias.
O encontro foi convocado para discutir princípios que promovam inovação em IA e outras tecnologias emergentes, avanço científico, investimentos, manufatura e cadeias de suprimento.
A discussão acontece em um momento de forte divergência internacional sobre até onde governos devem ir na fiscalização de sistemas de IA.
Na União Europeia, por exemplo, empresas de tecnologia já estão sujeitas a estruturas regulatórias mais extensas.
Por que os Carolina Principles importam
O resultado das conversas não cria, por si só, uma lei internacional de inteligência artificial. O G20 funciona como fórum de coordenação entre grandes economias, e seus entendimentos dependem posteriormente das políticas adotadas por cada país.
Ainda assim, uma convergência entre membros pode influenciar a forma como governos estruturam regulações, investimentos e acordos internacionais ligados à IA.
A posição americana também interessa diretamente às maiores empresas do setor. Regras mais rígidas podem aumentar custos de conformidade e alterar a maneira como modelos são desenvolvidos e lançados, enquanto governos que defendem maior supervisão apontam riscos ligados a segurança, direitos fundamentais, concorrência e uso indevido da tecnologia.
A reunião continua nesta quarta-feira, 2 de setembro. Caso os participantes cheguem a um texto conjunto ou anunciem compromissos concretos, isso constituirá uma nova atualização material da pauta.
O AVATIX News acompanha as principais mudanças de produtos e políticas de inteligência artificial na editoria de Inteligência Artificial.
Fontes
- Reuters — 1º de setembro de 2026: cobertura da apresentação dos Carolina Principles e da posição americana sobre regulação de IA no G20.
- U.S. International Trade Administration — 14 de agosto de 2026: comunicado oficial com datas, local, organizadores e objetivos do G20 Innovation Ministerial.
