A nova rodada da Quaest abriu uma discussão dentro da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a necessidade de mudar a estratégia a menos de um mês do primeiro turno.

O levantamento divulgado nesta semana mostrou 50% de desaprovação ao governo e 43% de aprovação.

Na pesquisa anterior, a desaprovação era de 48% e a aprovação, de 45%.

Oscilação nacional está dentro da margem

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.

Isso significa que a passagem de 48% para 50% na desaprovação e de 45% para 43% na aprovação não pode ser tratada isoladamente como uma mudança estatisticamente comprovada.

O alerta dentro do PT vem principalmente da combinação com outros recortes e levantamentos, além do empate numérico de Lula com Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno na mesma pesquisa.

Nordeste e Sudeste preocupam aliados

Segundo a Quaest, a desaprovação ao governo subiu de 29% para 35% no Nordeste, região historicamente mais favorável a Lula.

No Sudeste, passou de 50% para 56%.

Esses recortes regionais também precisam ser lidos com suas respectivas margens de erro, normalmente maiores do que a margem nacional, mas a direção dos números provocou preocupação entre integrantes da campanha ouvidos pela CNN Brasil.

Petistas criticam comunicação e isolamento

Aliados e dirigentes passaram a cobrar mudanças na coordenação política e na comunicação da campanha.

Entre as críticas relatadas estão a percepção de que Lula estaria ouvindo um grupo restrito de conselheiros e de que pautas com potencial popular aprovadas ou discutidas no Congresso não teriam produzido melhora perceptível na avaliação do governo.

A campanha apostava em temas como fim da taxa das blusinhas, redução da escala 6x1 e segurança pública para criar uma agenda mais favorável.

Estratégia deve reforçar comparação com o bolsonarismo

Uma das linhas defendidas por integrantes do PT é ampliar a comparação entre o governo Lula e o governo Bolsonaro e entre as trajetórias de Lula e Flávio Bolsonaro.

O argumento é que ainda existe parcela relevante de eleitores sem voto consolidado e que a disputa deve se tornar mais comparativa à medida que o primeiro turno se aproxima.

Pesquisa mede o momento, não o resultado final

Pesquisas eleitorais e de avaliação capturam opiniões no período em que as entrevistas são realizadas.

Os dados atuais indicam uma campanha mais competitiva e um ambiente menos confortável para o presidente do que seus aliados desejavam, mas não permitem concluir antecipadamente qual será o resultado da eleição.

A reação dentro do PT é, por si só, um dado político: mesmo oscilações que permanecem dentro da margem foram suficientes para levar setores da campanha a defender mudança de rota nas semanas finais.

Fontes

CNN Brasil / Quaest ↗

https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/jussara-soares/eleicoes/alta-desaprovacao-alarma-time-de-lula-aliados-defendem-mudanca-em-campanha/

https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/julliana-lopes/eleicoes/petistas-atribuem-alta-na-desaprovacao-de-lula-a-erros-da-campanha/