O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou seu discurso na abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), para alertar contra interferência estrangeira nas eleições brasileiras e defender que decisões políticas do país sejam tomadas sem tutela externa.

Segundo a Reuters, Lula afirmou que o Brasil não aceitará interferências em seu processo eleitoral e associou a defesa da democracia à preservação da soberania nacional. A fala ocorre na reta final da eleição presidencial de 2026 e em meio a tensões recentes entre Brasília e Washington.

Cobertura do discurso: Reuters relata o alerta de Lula contra interferência externa e a defesa de cooperação internacional.

Crime organizado: cooperação, não intervenção

Lula também abordou o combate ao crime organizado. O presidente rejeitou soluções unilaterais externas e defendeu cooperação internacional para enfrentar redes de tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

A Reuters destacou que o discurso ocorre enquanto o governo brasileiro resiste a iniciativas dos Estados Unidos para enquadrar facções como PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. A posição apresentada por Lula foi de que o enfrentamento dessas organizações deve respeitar a soberania brasileira e ocorrer por instrumentos de cooperação entre Estados.

Soberania e multilateralismo no centro do discurso

O presidente também criticou ações unilaterais e voltou a defender o multilateralismo e o papel das Nações Unidas. A sessão de 2026 ocorre sob o tema “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”, segundo a ONU.

Lula ainda mencionou temas domésticos ligados à disputa eleitoral, entre eles a jornada de trabalho 6x1, o combate aos efeitos da indústria de apostas e a proteção do Pix.

O discurso não transforma essas propostas em novas medidas de governo por si só; elas foram apresentadas pelo presidente no contexto político da Assembleia e da campanha eleitoral.

A agenda em Nova York

Antes do discurso, Lula havia se reunido na segunda-feira (21) com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Os dois discutiram custo de vida e políticas sociais, segundo a Reuters.

Lula também concedeu entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional, na qual tratou das relações entre Brasil e Estados Unidos, tarifas e política externa.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também discursou na Assembleia Geral nesta terça. A relação bilateral permanece como um dos principais componentes da agenda internacional brasileira nesta reta final da eleição.

Fontes

Reuters / ONU Brasil / CNN Brasil ↗

Reuters — discurso de Lula na Assembleia Geral e alerta contra interferência externa, 22/09/2026: https://www.reuters.com/world/americas/brazil-needs-cooperation-not-intervention-fight-crime-lula-says-2026-09-22/ ONU Brasil — abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral, 22/09/2026: https://brasil.un.org/pt-br/323138-abertura-do-debate-geral-da-81%C2%AA-sess%C3%A3o-da-assembleia-geral-das-na%C3%A7%C3%B5es-unidas Reuters — encontro de Lula e Zohran Mamdani em Nova York, 21/09/2026: https://www.reuters.com/world/americas/brazils-lula-meets-mamdani-new-york-ahead-major-elections-2026-09-21/ CNN Brasil — entrevista de Lula a Christiane Amanpour: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/se-eua-nao-quiserem-negociar-teremos-de-tomar-providencias-diz-lula-a-cnn/ Wikimedia Commons — fotografia oficial de Lula, CC BY-SA 4.0: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:30.06.2026_-_Fotografia_oficial.jpg