O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou o Rio de Janeiro como laboratório de uma nova etapa da estratégia federal contra o crime organizado. A iniciativa reúne forças federais, estaduais e municipais e deverá servir de referência para outras regiões caso o modelo produza resultados.
O plano foi apresentado nesta sexta-feira (18) durante agenda de Lula no Rio. A estratégia foi organizada em três frentes: sufocar a logística e a mobilidade das organizações criminosas, retomar territórios sob domínio de facções e fortalecer a capacidade dos municípios na segurança pública.
Fonte primária: o Ministério da Justiça detalha a integração e os planos operacionais nos corredores logísticos do Rio.
O que muda no Rio
O Ministério da Justiça e Segurança Pública já havia instalado no estado o Escritório Nacional Antifacção do Rio de Janeiro, estrutura permanente voltada à coordenação entre União, estado e municípios.
Nesta nova fase, as forças de segurança passaram a elaborar Planos Operacionais Integrados para corredores logísticos considerados estratégicos. O foco inclui rotas usadas para tráfico de drogas e armas, circulação de cargas roubadas e movimentação de grupos criminosos.
A Associated Press informou que o governo pretende ampliar compartilhamento de inteligência, operações coordenadas e fiscalização de rodovias importantes do estado. A ideia é combinar presença operacional com inteligência e investigação, em vez de depender apenas de intervenções temporárias.
Lula diz que experiência poderá ser replicada
Em entrevista à Rádio Tupi e durante a agenda de segurança, Lula chamou a iniciativa de plano piloto. Segundo o presidente, uma experiência bem-sucedida no Rio poderá orientar a expansão do modelo para outras partes do país.
O presidente também voltou a criticar operações temporárias de Garantia da Lei e da Ordem como solução permanente para territórios dominados pelo crime, argumentando que a retirada das forças após períodos curtos permite o retorno das organizações criminosas.
A declaração ocorre em meio ao debate eleitoral sobre segurança pública. Adversários de Lula, entre eles Flávio Bolsonaro, têm usado o tema para pressionar o governo e defender respostas mais duras às facções.
Estratégia federal já vinha sendo ampliada
O plano piloto não começa do zero. O governo federal lançou em maio o programa Brasil Contra o Crime Organizado, com ações voltadas à asfixia financeira de organizações criminosas, sistema prisional, investigação de homicídios e combate ao tráfico de armas.
No Rio, o Escritório Nacional Antifacção começou a operar em julho. Em setembro, operações coordenadas pelo escritório resultaram em apreensões de drogas e armamentos, enquanto União e governo estadual avançaram na definição de corredores prioritários para atuação conjunta.
O governo também tenta ampliar a participação federal na segurança por meio de mudanças institucionais discutidas no Congresso. A segurança pública é tradicionalmente uma atribuição fortemente concentrada nos estados, e o Executivo defende maior coordenação nacional.
O teste será a permanência dos resultados
O anúncio estabelece uma direção política e operacional, mas ainda não permite medir a eficácia do plano. O principal teste será verificar se a integração consegue reduzir de forma sustentada a capacidade logística das facções e recuperar áreas onde grupos criminosos exercem controle territorial.
Também será necessário separar resultados diretamente atribuíveis ao novo modelo de operações que já estavam em andamento no estado. Por isso, prisões, apreensões, redução de crimes e mudanças no controle territorial serão indicadores mais relevantes do que o anúncio isolado.
Com a eleição presidencial se aproximando, segurança pública tende a permanecer no centro da disputa. O plano do Rio coloca o governo Lula sob uma cobrança objetiva: demonstrar, com resultados verificáveis, se a maior presença federal consegue alterar um problema que há décadas atravessa diferentes administrações no estado.
Fontes
MJSP — ações integradas nos corredores logísticos do Rio
AP — Lula amplia ofensiva federal contra o crime organizado no Rio
Estadão Conteúdo/UOL — Lula apresenta três eixos contra o crime
