A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público de São Paulo deflagraram nesta quinta-feira (17) a Operação Vectura Corrupta, que investiga a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo e em estruturas do poder público paulista.
Entre os alvos está Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Há mandado de prisão temporária contra ele. Leite afirmou que está no interior do estado e que pretende se apresentar às autoridades em até 24 horas. Ele nega as acusações.
Também está entre os alvos Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. Segundo a investigação relatada pelos veículos que tiveram acesso à decisão judicial, ele teria mantido contato com um intermediário apontado como ligado ao PCC para tratar de interesses relacionados a empresas do transporte coletivo. As suspeitas ainda estão sob investigação e não equivalem a condenação.
Apuração: a CNN Brasil detalha as suspeitas envolvendo a SPTrans e empresas de ônibus.
Investigação aponta infiltração em empresas de transporte
De acordo com o Ministério Público, a apuração encontrou indícios de que integrantes ou colaboradores da facção teriam usado representantes e laranjas para exercer influência sobre empresas de ônibus, movimentar recursos e defender interesses do grupo dentro do setor.
O material analisado inclui diálogos extraídos de dispositivos apreendidos, documentos e informações financeiras. A operação é um desdobramento de investigações anteriores sobre lavagem de dinheiro e atuação da facção.
Reportagens baseadas na investigação afirmam que o MP identificou suspeitas envolvendo 12 das 22 empresas de transporte coletivo da capital. Esse número representa a tese apresentada pelos investigadores e não uma conclusão judicial definitiva sobre todas as companhias citadas.
Milton Leite nega ligação com Transwolff
A investigação aponta Milton Leite como possível controlador de fato da Transwolff, empresa que já havia sido alvo de apurações anteriores sobre lavagem de dinheiro ligada ao PCC.
Leite nega ser dono da companhia e rejeita qualquer vínculo com a organização criminosa. Ao UOL, disse que sua interlocução com a SPTrans ocorreu a pedido do então prefeito Bruno Covas, durante a greve de ônibus de 2019, e afirmou que vai se apresentar às autoridades.
A Prefeitura de São Paulo informou que colabora com o Ministério Público e lembrou que havia determinado intervenção na Transwolff em 2024.
Suspeita alcança financiamento político
Outro eixo da investigação trata da suspeita de uso de recursos ilícitos no financiamento de campanhas eleitorais. Segundo o MP, o esquema teria movimentado dinheiro por meio das empresas e de intermediários para ampliar influência política.
Por envolver mandados cautelares e uma investigação ainda em curso, as acusações contra cada pessoa e empresa precisam ser individualizadas. Prisão temporária, citação em decisão judicial ou condição de investigado não significam condenação.
Fontes
UOL — Operação Vectura Corrupta: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2026/09/17/operacao-vectra-corrupta-pcc-ministerio-publico-de-sao-paulo.ghtm
CNN Brasil — investigação sobre interesses do PCC no transporte: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/mp-ex-chefe-da-sptrans-tratava-de-interesses-do-pcc-com-empresas-de-onibus/
