Os resultados do PISA 2025, divulgados pela OCDE nesta terça-feira (8), mostram que o desempenho médio dos estudantes brasileiros ficou praticamente estável em relação a 2022 em matemática, leitura e ciências.
A estabilidade, porém, acontece em um patamar ainda muito abaixo da média dos países da organização.
No Brasil, apenas 28% dos estudantes de 15 anos atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência em matemática. Na média da OCDE, são 65%.
Leitura e ciências também estão abaixo
Em leitura, 49% dos estudantes brasileiros alcançaram o nível mínimo de proficiência, contra 69% na média da OCDE.
Em ciências, foram 48% no Brasil, ante 74% entre os países da organização.
Nos níveis mais altos, a diferença também é grande. Em ciências e leitura, cerca de 1% dos estudantes brasileiros chegaram às faixas de maior desempenho; em matemática, a proporção de alunos nos níveis 5 e 6 foi próxima de zero.
Brasil ficou praticamente no mesmo lugar de 2022
A OCDE afirma que as médias brasileiras de 2025 foram aproximadamente as mesmas da edição anterior nas três áreas principais.
Essa estabilidade não é recente. O relatório observa que os resultados do país permanecem próximos do mesmo patamar desde 2015.
Em ciência, houve uma melhora específica: a parcela de estudantes abaixo do nível 2 caiu quatro pontos percentuais em comparação com 2015. Em matemática e leitura, a proporção de baixo desempenho não mudou de forma estatisticamente significativa no mesmo período.
Desigualdade educacional aumentou em ciência
O PISA também mostra diferença relevante entre estudantes de maior e menor nível socioeconômico.
No Brasil, os 25% mais favorecidos superaram os 25% mais desfavorecidos em 96 pontos em ciências. A diferença média na OCDE foi de 85 pontos.
Entre 2015 e 2025, essa distância aumentou no Brasil: o desempenho melhorou entre os alunos mais favorecidos, enquanto ficou estável entre os mais desfavorecidos.
PISA 2025 foi o maior já realizado
Mais de 760 mil estudantes de 91 países e economias participaram da edição de 2025.
No Brasil, foram avaliados 30.140 estudantes de 1.053 escolas, representando cerca de 2,18 milhões de adolescentes de 15 anos matriculados no país.
A edição teve ciências como área principal e também mediu matemática, leitura e resolução de problemas por ferramentas computacionais.
Queda global em leitura e matemática
O cenário internacional também piorou.
Na média da OCDE, leitura e matemática atingiram os menores níveis já registrados pelo PISA. Entre 2022 e 2025, a pontuação média caiu nove pontos em matemática e 14 pontos em leitura.
A OCDE alerta que o declínio não começou apenas com a pandemia e aponta fatores mais amplos, como mudanças no ambiente de aprendizagem, uso de tecnologia e redução do hábito de leitura por prazer.
No caso brasileiro, o principal retrato de 2025 não é uma piora súbita, mas a persistência de um nível baixo de aprendizagem por mais de uma década.
