Flávio Nantes Bolsonaro, nascido em 30 de abril de 1981, em Resende (RJ), é advogado, ex-deputado estadual e senador pelo Rio de Janeiro. Filho mais velho de Jair Bolsonaro, construiu a própria carreira eleitoral desde 2002, mas sempre esteve politicamente ligado ao projeto que levou o pai à Presidência em 2018.

Em 2026, tornou-se candidato do PL à Presidência da República, com Alfredo Gaspar como vice. A campanha assume de forma explícita a continuidade do bolsonarismo, mas tenta transformar Flávio de herdeiro político e senador em uma candidatura nacional capaz de alcançar eleitores além da base do pai.

Quem é Flávio Bolsonaro

Flávio nasceu no estado do Rio de Janeiro e formou-se em Direito. Entrou muito cedo na política eleitoral: aos 21 anos, foi eleito deputado estadual no Rio em 2002.

Permaneceu na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro por quatro mandatos consecutivos, sendo reeleito em 2006, 2010 e 2014. Durante esse período, atuou em pautas ligadas principalmente à segurança pública e a temas defendidos pela família Bolsonaro.

Em 2018, no mesmo ano em que Jair Bolsonaro venceu a eleição presidencial, Flávio foi eleito senador pelo Rio de Janeiro. Seu mandato no Senado começou em fevereiro de 2019.

Uma carreira própria, mas inseparável do bolsonarismo

Flávio já tinha 16 anos de mandato quando o pai chegou ao Planalto. Por isso, descrevê-lo apenas como alguém que entrou na política por causa da Presidência de Jair Bolsonaro seria incorreto.

Ao mesmo tempo, sua trajetória partidária, sua comunicação e sua base eleitoral sempre estiveram fortemente associadas ao sobrenome Bolsonaro. No Senado, Flávio tornou-se um dos principais defensores do governo do pai e, depois da derrota de Jair em 2022, um dos articuladores centrais do campo bolsonarista.

Essa relação ficou ainda mais importante com a inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Em 2026, o PL escolheu Flávio como candidato presidencial e apresentou sua campanha como continuidade das ideias e da base política do ex-presidente.

A candidatura de 2026

Flávio entra na disputa presidencial como um candidato já conhecido nacionalmente, mas sem experiência em cargo executivo.

A chapa tem Alfredo Gaspar, ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas e deputado federal, como vice. A estratégia combina mobilização da militância bolsonarista, críticas ao governo Lula e ao Supremo Tribunal Federal e promessas de uma agenda econômica mais liberal.

Atos de rua continuam sendo um elemento importante da campanha. Em setembro, uma manifestação liderada por Flávio na Avenida Paulista reuniu cerca de 28 mil pessoas segundo estimativa independente acompanhada pelo AVATIX News; veja Ato de Flávio reúne cerca de 28 mil na Paulista em 7 de Setembro.

O que Flávio Bolsonaro propõe para a economia

O programa de Flávio fala em um “tesouraço” de despesas, redução do número de ministérios, novo limite para o crescimento dos gastos públicos, privatizações e desestatizações.

A campanha também defende medidas de desoneração e simplificação tributária, buscando recuperar parte da agenda econômica apresentada pela direita liberal durante o governo Bolsonaro.

O desafio está no detalhamento: cortar despesas de forma relevante exige indicar quais programas, estruturas ou benefícios seriam reduzidos, e algumas áreas do Orçamento possuem vinculações constitucionais ou despesas obrigatórias. Por isso, o tamanho e a distribuição do ajuste dependem de Congresso, legislação e, em certos pontos, mudanças constitucionais.

Segurança pública e endurecimento penal

A segurança é outro eixo central. Flávio defende reduzir a maioridade penal para 16 anos em determinados crimes, endurecer o cumprimento de pena para crimes hediondos, classificar grandes facções e narcotraficantes como terroristas e ampliar medidas contra organizações criminosas.

Também defende castração química para condenados por estupro, proposta que envolve discussão constitucional, médica e de direitos fundamentais antes de qualquer aplicação.

Nesse campo, a candidatura tenta ligar Flávio diretamente à identidade política construída pela família Bolsonaro desde os anos 1990: defesa de penas mais duras, maior respaldo às forças de segurança e crítica a políticas consideradas excessivamente garantistas.

STF, instituições e o legado do governo Bolsonaro

Flávio mantém críticas duras ao Supremo Tribunal Federal e a ministros que tiveram confrontos com Jair Bolsonaro. A campanha defende mudanças institucionais, inclusive no funcionamento da Corte e no sistema de foro por prerrogativa de função.

Ao mesmo tempo, episódios da própria campanha já chegaram ao TSE. Em 2026, a Justiça Eleitoral discutiu o uso de um avatar gerado por inteligência artificial de Jair Bolsonaro em material partidário. Por maioria apertada, o tribunal não multou Flávio e estabeleceu critérios para caracterizar deepfake eleitoral. Veja TSE livra Flávio de multa por avatar de Bolsonaro e fixa critérios para deepfake.

O episódio mostra como a candidatura de Flávio tenta usar a imagem do pai ao mesmo tempo em que precisa existir juridicamente e eleitoralmente como campanha própria.

O caso das “rachadinhas”

Um dos episódios mais conhecidos da carreira de Flávio surgiu a partir de movimentações financeiras identificadas durante o período em que ele era deputado estadual. O Ministério Público do Rio o denunciou em 2020 sob acusação de participação em um esquema de apropriação de parte dos salários de assessores, prática conhecida como “rachadinha”. Flávio sempre negou envolvimento criminoso.

Nos anos seguintes, decisões judiciais anularam provas relevantes e questionaram a forma como informações financeiras haviam sido obtidas e compartilhadas. Em 2022, a denúncia acabou rejeitada e o processo foi arquivado depois da perda de elementos considerados essenciais à acusação.

Isso precisa ser descrito com precisão: o encerramento do caso ocorreu após decisões sobre validade e obtenção de provas, e não corresponde a uma sentença de mérito declarando que o esquema investigado nunca existiu.

Dark Horse e Banco Master em 2026

A campanha presidencial trouxe um novo foco jurídico. Flávio passou a ser investigado em procedimento no STF relacionado ao financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, e às relações de integrantes do projeto com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Documentos e gravações divulgados durante a investigação registraram contatos de Flávio em busca de financiamento privado para a produção. Outras frentes apuram possíveis relações entre empresas ligadas ao filme e recursos públicos. Flávio nega ter praticado crime e afirma que a captação para a obra era legítima.

O AVATIX News reuniu os elementos públicos e as negativas em Flávio Bolsonaro, Dark Horse e Vorcaro: o que a investigação apura.

É importante separar os planos: ser investigado não significa ser culpado, e as suspeitas precisam ser demonstradas em processo com direito de defesa. Da mesma forma, a existência de captação privada para um filme não prova por si só desvio de dinheiro público.

Checagens e disputa de narrativa

A campanha de Flávio também é marcada por declarações que misturam defesa do legado do pai, ataques ao governo Lula e temas culturais. Verificadores já apontaram erros ou imprecisões em falas sobre o próprio caso Dark Horse, aquecimento global, Pix e 8 de Janeiro. O AVATIX News reuniu essas verificações em Checagem de Flávio na Globo: Dark Horse, clima, Pix e 8 de Janeiro.

Esse tipo de material é especialmente relevante em um perfil evergreen porque a campanha muda rapidamente, mas a distinção entre posição política, fato verificável e acusação ainda sob investigação precisa permanecer estável.

Afinal, quem é Flávio Bolsonaro?

Flávio Bolsonaro não é um estreante na política. Quando chegou à disputa presidencial de 2026, já havia passado mais de duas décadas em cargos eletivos.

O elemento novo é outro: pela primeira vez, ele precisa liderar sozinho uma campanha nacional que antes girava em torno de Jair Bolsonaro.

Sua força inicial vem de uma base política pronta, do sobrenome mais conhecido da direita brasileira recente e de um eleitorado fortemente identificado com o ex-presidente. Seu desafio é provar que consegue transformar essa herança em projeto próprio de governo, ampliar apoio fora do bolsonarismo e atravessar uma campanha na qual seu histórico parlamentar e seus casos jurídicos recebem escrutínio muito maior.

Fontes

Senado Federal / Folha de S.Paulo / Agência Brasil / STF ↗

Senado Federal — perfil de Flávio Bolsonaro: https://www25.senado.leg.br/web/senadores/senador/-/perfil/5894

Folha de S.Paulo — candidatos à Presidência e propostas em 2026: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/veja-quem-sao-os-candidatos-a-presidencia-nas-eleicoes-de-2026.shtml

Agência Brasil — candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro em 2026: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-07/pl-oficializa-flavio-bolsonaro-como-candidato-presidencia

STF — decisões relacionadas ao caso das chamadas rachadinhas e validade de relatórios financeiros: https://portal.stf.jus.br/

Folha de S.Paulo — cobertura do caso Dark Horse e Banco Master em 2026: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/defesa-de-flavio-fez-4-pedidos-seguidos-para-caso-dark-horse-ficar-com-mendonca-em-vez-de-dino.shtml