O ato convocado pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) reuniu cerca de 28 mil pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo, nesta segunda-feira, 7 de setembro, segundo levantamento do Monitor do Debate Político do Cebrap em parceria com a organização More in Common.
A medição foi feita às 16h32, no momento de pico da manifestação, usando fotografias captadas por drones e sistemas de inteligência artificial para estimar a multidão. A Reuters reportou uma estimativa de aproximadamente 28,5 mil pessoas com base no mesmo monitoramento.
Estimativa independente: a Folha detalha que o cálculo de público foi feito no pico do ato com imagens de drones e sistemas de IA.
A manifestação terminou por volta das 17h, após discursos de Flávio, do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e de outras lideranças da direita.
Flávio associa Lula a Moraes
Em seu discurso, Flávio voltou a associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O candidato afirmou que quem vota em Lula estaria também votando em Moraes e disse que pretende trabalhar para recuperar a credibilidade do Supremo caso seja eleito.
Cobertura do ato: a Reuters registrou o discurso de Flávio, o público estimado e o contexto da disputa presidencial.
As declarações são posições políticas da campanha de Flávio. Elas não significam que exista decisão judicial ou constatação factual de que Lula e Moraes atuem conjuntamente na eleição.
Flávio também afirmou que haverá tentativa de interferência no processo eleitoral, sem apontar naquele trecho uma prova específica que sustentasse a acusação. A alegação deve, portanto, ser tratada como declaração do candidato, e não como fato comprovado.
Tarcísio cobra resposta institucional do STF
Tarcísio de Freitas afirmou durante o ato que ninguém está acima da lei e defendeu uma resposta institucional do Supremo às dúvidas levantadas sobre Moraes no contexto do caso Banco Master.
Ao mesmo tempo, declarou apoio explícito a Flávio e pediu mobilização eleitoral contra o PT.
Discurso de Tarcísio: o UOL registrou a cobrança ao STF, o apoio a Flávio e o pedido de mobilização eleitoral feito pelo governador.
As críticas feitas por Tarcísio e outros participantes não equivalem a uma conclusão do STF de que Moraes tenha cometido irregularidade.
Público ficou abaixo de atos anteriores
Segundo o Monitor do Debate Político e a More in Common, o público de aproximadamente 28 mil pessoas ficou abaixo das medições de manifestações semelhantes dos dois anos anteriores.
As mesmas entidades estimaram 42,2 mil pessoas no ato de 2025 e 45,4 mil em 2024, de acordo com a Folha. A Reuters também destacou que a mobilização desta segunda-feira ficou aquém das maiores manifestações convocadas por Jair Bolsonaro.
A comparação deve considerar que estimativas de multidões variam conforme horário da medição, área analisada e metodologia. Por isso, o AVATIX News adota os números identificando expressamente quem realizou cada levantamento.
PM dispersou manifestantes antes do início
Horas antes do ato principal, a Polícia Militar de São Paulo usou gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral para dispersar um grupo de manifestantes na rua Carlos Comenale, nas proximidades da Avenida Paulista.
Imagens publicadas pelo UOL mostraram fumaça, pessoas correndo e presença policial. Parte dos manifestantes carregava cartazes contra Tarcísio e mensagens de apoio ao PT.
Evidência da ocorrência: o UOL publicou imagens e relato da intervenção policial na região da Paulista.
A PM afirmou que houve intervenção para conter grupos em confronto e impedir problemas de segurança no acesso à avenida. A explicação é a versão oficial da corporação sobre a ocorrência.
Caso Master e crise no STF estiveram no centro dos discursos
O ato ocorreu em meio à crise interna do Supremo relacionada às investigações do Banco Master.
O ministro André Mendonça divulgou documentos de investigação que fazem menção a contatos entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Moraes, por sua vez, pediu apuração sobre a atuação de Mendonça.
Os documentos e acusações ainda passam por análise institucional e não representam conclusão de culpa de nenhum dos ministros ou demais autoridades mencionadas.
Durante a manifestação, aliados de Flávio defenderam Mendonça e fizeram críticas a Moraes. O próprio Flávio evitou tratar o Supremo como um todo como adversário e afirmou que seria necessário proteger a instituição da atuação que atribui ao ministro.
Ato ocorreu em disputa presidencial apertada
A manifestação ganhou peso eleitoral porque acontece a menos de um mês do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
A Reuters destacou nesta segunda-feira que uma nova pesquisa Quaest colocou Lula e Flávio empatados em 41% em uma eventual simulação de segundo turno. Já o Datafolha divulgado em 3 de setembro havia mostrado Lula com 38% no primeiro turno e Flávio com 33%.
Mobilização de rua e intenção de voto são indicadores diferentes. O tamanho da manifestação pode ser explorado politicamente pelas campanhas, mas não deve ser convertido diretamente em projeção eleitoral.
A imagem de capa mostra Flávio Bolsonaro em uma atividade no Senado em abril de 2026 e não retrata o ato deste 7 de Setembro. Crédito: Ton Molina/Agência Senado via Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0.
Fontes
Reuters / Folha de S.Paulo / UOL ↗
Reuters — Thousands of Brazilians rally for Bolsonaro in tight presidential race against Lula
Folha de S.Paulo — Flávio Bolsonaro liga Lula a Moraes em ato na Paulista
UOL — Tarcísio ataca PT e cobra resposta do STF sobre Moraes
UOL — PM usa bomba contra manifestantes na região da Avenida Paulista
