O Banco Central reduziu de 2% para 1,8% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026 e estimou uma expansão de 1,4% em 2027. Os números fazem parte do Relatório de Política Monetária do terceiro trimestre, divulgado nesta quinta-feira, 24 de setembro.
A revisão coloca a estimativa do BC para este ano próxima da mediana mais recente do Boletim Focus, de 1,88%, mas abaixo da projeção de 2% divulgada nesta semana pelo Ministério da Fazenda. Para 2027, a Fazenda estima crescimento de 2,3%, enquanto o Focus aponta 1,43%.
Segundo o Banco Central, a revisão de 2026 incorpora uma composição menos favorável do crescimento no segundo trimestre e os primeiros indicadores do terceiro trimestre, que sugerem atividade econômica mais fraca.
Fonte oficial: o Banco Central disponibiliza o Relatório de Política Monetária e seus metadados em sua base pública.
Agro melhora; indústria e serviços perdem força
Na abertura por setores, o BC elevou a projeção de crescimento da agropecuária, de 1,7% para 2,8%. Em sentido contrário, reduziu a estimativa da indústria, de 2,3% para 1,5%, e a de serviços, de 1,9% para 1,7%.
Pelo lado da demanda, a projeção para o consumo das famílias caiu de 2,1% para 1,2%. O relatório associa a desaceleração ao ambiente de política monetária ainda contracionista e aos efeitos acumulados dos juros elevados sobre crédito e atividade.
Para 2027, o BC cita como fatores para o crescimento mais moderado a manutenção de condições monetárias restritivas, a baixa ociosidade da economia, a incerteza externa e a redução dos impulsos fiscal e creditício.
Na entrevista de apresentação do relatório, o diretor de Política Econômica interino, Paulo Picchetti, afirmou que a desaceleração prevista para 2027 é parte importante do processo de convergência da inflação à meta.
Inflação: BC vê 3,1% no horizonte relevante para novembro
O relatório mantém a projeção de 5,2% para o IPCA de 2026. O centro da meta é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%. A autoridade monetária elevou de 79% para 90% a probabilidade de a inflação superar o limite superior da meta neste ano.
Para a reunião do Copom de novembro, o horizonte relevante passa a ser o segundo trimestre de 2028. Nesse período, o Banco Central projeta inflação anual de 3,1%, mesmo valor estimado até o primeiro trimestre de 2029. A leitura é próxima do centro da meta, mas o presidente do BC, Gabriel Galípolo, ressaltou que a instituição evita tratar projeções com uma falsa sensação de precisão e não reage de forma excessiva a dados isolados.
Galípolo também disse que os sinais de desaceleração da atividade econômica ficaram mais evidentes. As declarações reforçam que o cenário de juros continuará dependente da evolução dos dados, mesmo com a inflação projetada mais perto da meta no horizonte relevante.
Crédito também entrou no radar
Na mesma entrevista, Galípolo afirmou que o BC prepara medidas macroprudenciais para conter práticas agressivas de concessão de crédito. Ao comentar o desenho de alguns produtos, citou uma inadimplência de 65% no cartão de crédito e avaliou que uma taxa desse tamanho indica problema de desenho do produto.
Contexto: o Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano em 16 de setembro. O ritmo futuro dos juros depende da evolução da inflação, das expectativas e da atividade econômica.
A divulgação do Banco Central é um dado novo em relação ao Focus: enquanto o boletim reúne estimativas de instituições do mercado, o Relatório de Política Monetária apresenta as projeções e a avaliação da própria autoridade monetária.
Fontes
https://dadosabertos.bcb.gov.br/dataset/relatorios-de-politica-monetaria-publicados, https://www.investing.com/news/economy-news/brazil-central-bank-sees-inflation-near-target-at-key-horizon-trims-growth-outlook-4915261, https://uk.marketscreener.com/news/brazil-central-bank-says-2027-slowdown-key-to-inflation-convergence-ce785aded08af32c, https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2026/09/24/bc-reduz-projecao-de-alta-do-pib-em-2026-de-20-para-18-ve-expansao-de-14-em-2027.amp.htm
