O mercado financeiro passou a projetar a Selic em 13,50% ao ano no fim de 2026, segundo o Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira, 21 de setembro. Na semana anterior, a mediana estava em 13,75%, patamar atual da taxa básica após o corte feito pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira (16).

A revisão ocorreu depois de seis semanas de estabilidade da projeção e indica que o conjunto de analistas consultados pelo Banco Central voltou a enxergar espaço para redução adicional dos juros ainda neste ano. A expectativa para o fim de 2027 permaneceu em 12%.

Fonte oficial: consulte o Relatório Focus no Banco Central do Brasil. As projeções são medianas das expectativas de participantes do mercado e não constituem previsão ou compromisso do Banco Central.

Inflação sobe e PIB recua no mesmo Focus

A rodada de 21 de setembro trouxe sinais mistos. A mediana para o IPCA de 2026 subiu de 4,90% para 4,92%, enquanto a projeção de crescimento do PIB caiu de 1,89% para 1,88%. A estimativa para o dólar no fim do ano permaneceu em R$ 5,20.

O movimento é relevante porque a inflação esperada segue acima do teto de 4,5% do intervalo de tolerância em torno da meta de 3%, ao mesmo tempo em que o mercado passou a prever juros um pouco menores no encerramento do ano.

Copom cortou a Selic para 13,75%

Na quarta-feira, 16 de setembro, o Copom reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano. A redução de 0,25 ponto percentual foi aprovada por unanimidade e representou o quinto corte consecutivo da taxa básica.

A decisão havia transformado em fato a expectativa que esta mesma URL acompanhava desde 14 de setembro. Agora, a nova rodada do Focus acrescenta um fato superveniente: o mercado já não espera que 13,75% seja necessariamente o ponto final de 2026.

Fonte oficial: acompanhe os comunicados do Copom no Banco Central do Brasil.

O que muda com a Selic em 13,75%

A Selic serve de referência para o custo do dinheiro na economia. Um corte tende, com defasagem, a reduzir parte das taxas cobradas em crédito, financiamentos e empréstimos e também altera a remuneração esperada de investimentos ligados aos juros básicos.

Isso não significa queda imediata e uniforme das taxas ao consumidor. Bancos e financeiras também incorporam inadimplência, prazo, garantias, impostos e margem de risco ao preço final do crédito.

Para entender o mecanismo, veja o que é a Selic e por que os juros afetam a inflação.

Dados recentes ajudam a explicar o debate

O IPCA registrou deflação de 0,32% em agosto e a inflação acumulada em 12 meses caiu para 4,22%. O AVATIX News detalhou esse resultado em IPCA de agosto registra deflação de 0,32% e inflação em 12 meses cai para 4,22%.

Outro sinal de perda de força veio do IBC-Br: a atividade econômica recuou em julho. Veja a cobertura em IBC-Br recua e reforça sinais de desaceleração da economia.

Brasil e Estados Unidos seguiram direções opostas

A decisão brasileira de 16 de setembro veio no mesmo dia em que o Federal Reserve elevou os juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, no primeiro aumento americano em três anos.

Assim, a chamada superquarta terminou com movimentos opostos: o Brasil manteve o ciclo de redução, enquanto os Estados Unidos apertaram a política monetária diante de pressões inflacionárias. O AVATIX News acompanha a decisão americana em Fed sobe juros para faixa de 3,75% a 4%.

E agora?

A projeção de 13,50% é uma expectativa do mercado, não uma orientação formal do Copom. Os próximos passos dependerão da evolução da inflação, das expectativas, da atividade, do câmbio, do cenário fiscal e das pressões externas.

A ata da reunião de setembro do Copom está prevista para terça-feira, 22, e será um dos próximos documentos relevantes para entender a avaliação do Banco Central sobre o ritmo de cortes. Novos dados de inflação também poderão alterar as projeções do Focus nas semanas seguintes.

Fontes

Banco Central do Brasil ↗

Banco Central do Brasil — Relatório Focus: https://www.bcb.gov.br/publicacoes/focus

Reuters — Brazil economists cut end-2026 interest rate forecast to 13.50%: https://www.reuters.com/world/americas/brazil-economists-cut-end-2026-interest-rate-forecast-1350-2026-09-21/

Banco Central do Brasil — Comunicados do Copom: https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/comunicadoscopom

Wikimedia Commons — sede do Banco Central, CC BY 2.0: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Edif%C3%ADcio_%22Sede%22_do_Banco_Central_do_Brasil_em_Bras%C3%ADlia.jpg