O IPCA, índice oficial de inflação do Brasil, caiu 0,32% em agosto, informou o IBGE nesta sexta-feira (11). Foi a primeira deflação em um ano e a maior queda mensal desde 2022.

No acumulado de 12 meses, a inflação desacelerou de 4,44% em julho para 4,22% em agosto.

O resultado veio abaixo da mediana das expectativas coletadas pela Reuters, que apontava queda mensal de 0,29% e inflação de 4,27% em 12 meses.

Dado do dia: IPCA de agosto: -0,32%; inflação em 12 meses: 4,22%.

Conta de luz teve peso decisivo

A principal influência negativa veio de Habitação, que caiu 1,87% no mês. Dentro do grupo, a energia elétrica residencial recuou 7,63%, puxada pelo chamado Bônus de Itaipu, desconto extraordinário aplicado nas contas de consumidores.

Segundo o UOL, o abatimento somou R$ 872,1 milhões e alcançou 83,8 milhões de consumidores.

A queda da energia foi tão relevante que analistas destacaram seu caráter temporário: sem esse efeito, a inflação mensal teria ficado próxima de zero.

Alimentos e transportes também recuaram

Alimentação e bebidas caiu 0,34% em agosto, enquanto Transportes recuou 0,86%.

Entre os itens que ajudaram a reduzir o índice estiveram alimentos frescos, combustíveis e passagens aéreas. O etanol e a gasolina também tiveram queda no mês.

Nem todos os grupos registraram deflação. Despesas pessoais, artigos de residência, educação, saúde e vestuário tiveram altas.

Resultado reforça expectativa de novo corte da Selic

A inflação em 12 meses permanece dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, cujo centro é 3% e o teto é 4,5%.

Com a desaceleração dos preços e sinais de perda de ritmo da atividade, o resultado reforçou as apostas de mercado em um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom.

A taxa básica está atualmente em 14% ao ano após uma sequência de reduções graduais.

Ainda assim, a leitura de agosto exige cautela. Parte relevante da deflação veio de fatores temporários, especialmente o desconto na energia, enquanto o cenário internacional segue pressionado pelo petróleo e há riscos para alimentos e eletricidade nos próximos meses.

Por isso, o dado de agosto melhora o quadro de curto prazo, mas não significa que o Brasil tenha entrado em um período permanente de queda geral de preços.

Fontes

IBGE / Reuters ↗

IBGE — Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indicenacional-de-precos-ao-consumidor-amplo.html

Reuters — Cooling inflation strengthens bets on another Brazil rate cut: https://www.reuters.com/world/americas/cooling-inflation-strengthens-bets-another-brazil-rate-cut-2026-09-11/

UOL — Contas de luz e alimentos mais baratos estimulam primeira deflação em um ano: https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2026/09/11/ipca-agosto-2026.ghtm