A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) inicia nesta quinta-feira (3) uma mudança rara em seu comando. Fabio Schvartsman assume a presidência executiva da companhia no lugar de Benjamin Steinbruch, que ocupava o cargo desde 2002.
Steinbruch não deixa o grupo: ele foi aprovado como presidente do conselho de administração da CSN. A mudança, comunicada ao mercado na quarta-feira (2), separa formalmente a chefia executiva da empresa do comando do conselho.
A Reuters informou que a troca passa a valer em 3 de setembro de 2026. Schvartsman chega à CSN em um momento no qual o grupo trabalha para reduzir seu endividamento e reorganizar ativos em áreas como cimento, mineração e infraestrutura.
Quem assume a presidência da CSN
Schvartsman tem longa trajetória em grandes companhias brasileiras e já comandou empresas como Klabin, Ultrapar e Vale.
Ele foi presidente da Vale entre 2017 e 2019 e estava no cargo quando ocorreu o rompimento da barragem de Brumadinho, em janeiro de 2019. Processos relacionados ao desastre continuam tramitando; isso não equivale a condenação criminal do executivo.
A escolha coloca novamente Schvartsman à frente de um dos maiores grupos industriais do país, desta vez com operações que vão além da siderurgia e incluem mineração, logística, energia e cimento.
Steinbruch deixa o cargo depois de 24 anos
Benjamin Steinbruch assumiu a presidência executiva da CSN em abril de 2002 e permaneceu na função por cerca de 24 anos.
Durante esse período, a companhia ampliou sua atuação para diferentes áreas e consolidou operações em mineração e logística além de seu negócio histórico de aço.
O próprio site de relações com investidores da CSN ainda registrava Steinbruch como diretor-presidente até a mudança anunciada nesta semana.
Com a nova estrutura, ele passa a atuar como presidente do conselho de administração, posição voltada à definição estratégica e à supervisão da gestão executiva.
Troca ocorre durante esforço para reduzir dívida
A mudança acontece enquanto a CSN busca reduzir sua alavancagem financeira.
A Reuters destaca que o grupo vem trabalhando em um plano de redução de dívida que inclui a possível venda de ativos, entre eles operações ligadas ao segmento de cimento.
A chegada de um novo CEO, portanto, não é apenas uma troca de nomes. Schvartsman assumirá com o desafio de executar uma estratégia de desalavancagem e reorganização de um conglomerado com presença em setores intensivos em capital.
O que muda para a governança
A transição também altera a distribuição formal de poder dentro da companhia.
Até agora, Steinbruch concentrava a posição de principal executivo do grupo e influência relevante na estrutura de controle. Ao migrar para o conselho e entregar a presidência executiva a Schvartsman, a CSN passa a ter uma separação mais clara entre conselho e diretoria.
Na prática, o mercado deverá acompanhar quanto de autonomia operacional o novo CEO terá e como a relação entre conselho e administração funcionará nesta nova fase.
Um setor que também está no centro da política industrial
A troca de comando ocorre em um momento de maior atenção à mineração e à indústria de base no Brasil. Nesta semana, o Senado aprovou uma política nacional para minerais críticos e estratégicos, com incentivos voltados a processamento e agregação de valor dentro do país.
Embora a medida não seja específica para a CSN, ela ajuda a colocar mineração, siderurgia e cadeias industriais estratégicas novamente no centro do debate econômico brasileiro.
A mudança na presidência da CSN passa a valer nesta quinta-feira (3), e os próximos passos da companhia devem ser acompanhados de perto principalmente em relação à venda de ativos, redução da dívida e reorganização de sua governança.
Fontes
https://www.reuters.com/markets/commodities/brazil-steelmaker-csn-says-steinbruch-leaving-ceo-role-after-24-years-2026-09-02/ | https://ri.csn.com.br/en/corporate-governance/board-of-directors-board-and-committees/ | https://visnoinvest.com/news/15096/csn-csna3-names-fabio-schvartsman-as-new-ceo
