O petróleo voltou a subir nesta terça-feira (8) e o Brent chegou a US$ 99,46 por barril, aproximando-se da marca de US$ 100 em meio a uma nova escalada de risco no Oriente Médio. O movimento ocorre depois de ataques houthis a instalações de energia na Arábia Saudita, somados à tensão entre Estados Unidos e Irã e ao fluxo ainda reduzido pelo Estreito de Ormuz.
O WTI chegou a US$ 94,73, segundo a Reuters. Os dois contratos atingiram os maiores níveis em várias semanas, refletindo tanto interrupções pontuais quanto a possibilidade de uma crise mais prolongada atingir produção, refino e transporte de petróleo.
Acompanhamento da Reuters: Brent se aproxima de US$ 100 com aumento do risco de oferta no Oriente Médio.
Ataques na Arábia Saudita aumentam pressão sobre o mercado
A nova alta veio após ataques reivindicados pelos houthis atingirem instalações de energia e cidades no sul da Arábia Saudita. A coalizão liderada pelo país no Iêmen informou que 73 pessoas ficaram feridas.
Algumas operações de energia foram interrompidas temporariamente enquanto equipes respondiam aos incêndios e avaliavam os danos. As autoridades não divulgaram uma relação completa de todas as unidades atingidas, por isso o AVATIX News evita atribuir automaticamente todos os danos a uma única refinaria ou complexo.
O episódio amplia uma crise que, nos dias anteriores, estava concentrada principalmente em petroleiros, instalações iranianas e no tráfego marítimo pelo Golfo.
Escalada entre EUA e Irã já pressionava preços
As Forças Armadas dos Estados Unidos haviam confirmado no sábado (5) ataques contra três petroleiros iranianos, incluindo uma ação próxima da Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã.
Segundo o Comando Central dos EUA, a ação ocorreu depois de o Irã lançar mísseis contra navios americanos. Autoridades iranianas, por sua vez, disseram que forças do país atingiram três petroleiros que navegavam por rotas consideradas não autorizadas no Estreito de Ormuz e outras três embarcações americanas em áreas diferentes.
Essas informações refletem versões oficiais dos dois lados. A extensão dos danos e todos os detalhes operacionais ainda podem ser atualizados à medida que novas confirmações independentes surgirem.
Na segunda-feira (7), o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que ativos de energia na região poderão ser atingidos caso instalações iranianas sofram novos ataques dos Estados Unidos.
Ormuz continua no centro do risco
Dados da Kpler citados pela Reuters mostraram que uma média de 10 navios de commodities por dia atravessou o Estreito de Ormuz em um período recente de dez dias, o menor nível desde maio.
A rota é estratégica para o mercado global de energia. Uma interrupção prolongada pode elevar preços de petróleo e derivados, aumentar fretes marítimos e pressionar inflação e custos logísticos em vários países.
A Reuters também aponta que o tráfego de petroleiros pelo estreito continua abaixo do normal nesta terça-feira, enquanto o mercado acompanha possíveis novos ataques e respostas militares.
Goldman eleva projeções com conflito mais longo
O Goldman Sachs revisou para cima suas projeções para Brent e WTI diante da possibilidade de interrupções se estenderem por mais tempo. Projeções desse tipo dependem da duração do conflito, do grau de restrição em Ormuz e da extensão de eventuais danos à infraestrutura regional — não são garantia de preço futuro.
Na segunda-feira, o Brent havia fechado em US$ 97,31, depois de tocar US$ 98,06. A nova máxima de US$ 99,46 nesta terça-feira mostra que o prêmio de risco continuou aumentando durante a manhã.
Opep+ mantém política para outubro
Em meio à escalada, a Opep+ manteve inalterada sua política de produção para outubro. O grupo ainda precisa negociar novas cotas antes de decidir os próximos passos para a oferta.
A combinação de ataques a instalações sauditas, tensão EUA–Irã, menor tráfego por Ormuz e petróleo novamente perto de US$ 100 transformou a crise em um risco cada vez mais amplo para o mercado global de energia.
Por que Kharg continua importante
A Ilha de Kharg abriga o principal terminal iraniano de exportação de petróleo. A própria NASA descreve a ilha como um centro estratégico da infraestrutura petrolífera do país, com instalações de armazenamento e embarque.
Contexto geográfico: NASA — Kharg Island, Iran.
Os próximos pontos a acompanhar são novos ataques, o fluxo efetivo de navios pelo estreito, a situação das instalações sauditas atingidas e o impacto sobre preços de combustíveis, inflação e comércio internacional.
Fontes
Reuters — petróleo sobe após ataques a instalações sauditas
Reuters — petróleo atinge máxima de seis semanas
