O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou o discurso de abertura do Brasil no Debate Geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), para alertar contra interferências externas na eleição brasileira de outubro e defender a soberania do país.

A fala ocorreu em Nova York, a menos de duas semanas do primeiro turno. Lula, que disputa a reeleição, afirmou que o sistema eleitoral brasileiro é moderno e robusto e disse que o país não permitirá que atores internos ou externos prejudiquem a manifestação da vontade popular.

Fonte primária: a ONU mantém a página oficial da participação do Brasil no Debate Geral da 81ª Assembleia Geral.

Recado sobre a eleição

Segundo a Reuters, Lula afirmou que candidatos têm ampla liberdade de expressão, mas acusou alguns deles, sem citar nomes, de usá-la para se alinhar a interesses estrangeiros contrários aos interesses do Brasil.

O presidente também criticou campanhas de desinformação e declarou que o Brasil seguirá soberano. A Reuters interpretou parte das declarações como uma referência ao cenário eleitoral e às relações de adversários políticos com governos estrangeiros. Essa leitura é do veículo; Lula não nomeou um candidato nesse trecho do discurso.

A manifestação ocorre em uma eleição apertada. Pesquisas recentes têm mostrado Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em diferentes simulações de segundo turno.

Crime organizado: cooperação, não intervenção

Outro eixo do discurso foi o combate ao crime organizado. Lula afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar organizações criminosas dentro de seu território e além das fronteiras, mas defendeu que a participação de outros países aconteça por meio de cooperação internacional, e não de intervenção.

Ele rejeitou a ideia de presença militar estrangeira para enfrentar facções brasileiras e disse que o foco da cooperação deveria estar no bloqueio do fluxo de armas e dinheiro que alimenta essas organizações.

A posição dialoga com divergências recentes entre Brasília e Washington sobre o tratamento dado a grandes facções criminosas brasileiras. O governo brasileiro tem contestado medidas unilaterais dos Estados Unidos que enquadram grupos do país como organizações terroristas.

Apuração: a Reuters detalha as declarações de Lula sobre eleição, soberania e combate ao crime organizado.

Assembleia Geral abre semana de discursos

O Debate Geral da 81ª sessão começou em 22 de setembro e segue até o dia 28, com interrupção no domingo. Chefes de Estado e de governo usam o plenário para apresentar suas prioridades sobre política internacional, segurança, economia, clima e outros temas globais.

Como ocorre tradicionalmente, o Brasil foi o primeiro país a discursar no Debate Geral. O pronunciamento de Lula colocou a eleição brasileira e a relação com potências estrangeiras entre os temas domésticos levados pelo presidente ao principal palco diplomático das Nações Unidas.

Imagem de capa: Lula discursando na Assembleia Geral da ONU em 2007; fotografia de arquivo de Marcello Casal Jr./Agência Brasil, via Wikimedia Commons, licenciada sob CC BY 3.0 BR.

Fontes

Reuters ↗

Reuters — discurso, eleição, soberania e crime organizado: https://www.reuters.com/world/americas/brazil-needs-cooperation-not-intervention-fight-crime-lula-says-2026-09-22/

ONU — página oficial do discurso do Brasil na 81ª Assembleia Geral: https://gadebate.un.org/en/81/brazil

ONU — programação oficial do Debate Geral: https://www.un.org/pga/81/event/general-debate-of-the-eighty-first-session-of-the-general-assembly/

Wikimedia Commons — capa de arquivo e licença: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Lula_62nd_Assembly_General.jpg