A OpenAI afirma ter usado seus próprios modelos de inteligência artificial no desenvolvimento do Jalapeño, seu primeiro chip personalizado para inferência, e ter levado o projeto à etapa de tape-out em nove meses.
A informação foi dada pela diretora financeira da companhia, Sarah Friar, durante a conferência Communacopia + Technology, do Goldman Sachs, em San Francisco, e publicada pela Reuters nesta quarta-feira (9).
Horas depois, a OpenAI acrescentou um novo elemento à estratégia de hardware: Harrison Kim, gerente-geral da OpenAI Korea, afirmou que a empresa fez avanços na cooperação com a Samsung Electronics em chips de próxima geração. Ele não detalhou quais componentes ou etapas estão sendo desenvolvidos em conjunto, e a Samsung disse à Reuters que não poderia confirmar informações relacionadas a clientes.
Tape-out é o estágio em que o desenho de um chip é considerado finalizado e segue para fabricação. Isso não significa que a OpenAI tenha colocado o processador em produção comercial em nove meses, mas indica que o projeto chegou a uma das etapas decisivas antes da fabricação física.
Apuração: a Reuters publicou as declarações de Sarah Friar sobre o uso dos modelos da OpenAI no projeto do Jalapeño e, posteriormente, as declarações de Harrison Kim sobre a cooperação com a Samsung em chips de próxima geração. A própria OpenAI já havia apresentado em agosto resultados iniciais e a estratégia do chip.
O que é o Jalapeño
O Jalapeño foi apresentado pela OpenAI em agosto como seu primeiro chip próprio voltado à inferência, etapa em que modelos já treinados processam solicitações e produzem respostas.
Na ocasião, a empresa divulgou resultados de desempenho do processador em benchmarks e afirmou que o hardware havia sido projetado especificamente para suas cargas de trabalho. O anúncio desta semana acrescenta um detalhe importante: segundo Friar, os próprios modelos da OpenAI foram usados durante o processo de desenvolvimento do chip.
A companhia não detalhou, na declaração reproduzida pela Reuters, quais partes do projeto foram realizadas ou aceleradas por IA. Por isso, não é possível concluir que o chip tenha sido projetado autonomamente por um modelo.
Samsung amplia papel na infraestrutura da OpenAI
A declaração feita em Seul não parte do zero. OpenAI e Samsung já mantêm uma relação em infraestrutura de IA: em 2025, Samsung e SK entraram na iniciativa Stargate com foco, entre outros pontos, no aumento da oferta de memórias avançadas para sistemas de inteligência artificial.
Em junho de 2026, a OpenAI também anunciou que a Samsung Electronics estava fazendo uma das maiores implantações corporativas de ChatGPT Enterprise e Codex da empresa, abrangendo funcionários na Coreia e a divisão Device eXperience globalmente.
A novidade desta quarta é que Harrison Kim descreveu a produção e pesquisa conjunta em chips de próxima geração como uma das áreas em que a cooperação entre as duas empresas mais avançou. Como ele não forneceu especificações técnicas, não é possível afirmar que essa colaboração corresponda exclusivamente ao Jalapeño ou a uma geração específica de processadores.
IA ajudando a criar o hardware que roda IA
A estratégia ilustra uma tendência que começa a aparecer na indústria de semicondutores: utilizar modelos de IA para auxiliar engenheiros em tarefas de projeto, verificação, otimização e automação de etapas que historicamente exigem ciclos longos de trabalho humano e ferramentas especializadas.
Para a OpenAI, existe ainda um efeito circular. A empresa desenvolve modelos que podem ajudar no projeto de hardware; esse hardware, por sua vez, é construído para executar os próprios modelos de forma mais eficiente.
A companhia descreveu essa abordagem em agosto como um sistema integrado entre chips, data centers, modelos, plataforma de desenvolvedores e produtos.
OpenAI quer levar IA para setores especializados
Friar também afirmou que a OpenAI está aumentando o foco em aplicações específicas para empresas, incluindo design de chips, ciências da vida e serviços financeiros.
Segundo a executiva, clientes corporativos estão pressionando fornecedores de IA por resultados mensuráveis e retorno financeiro mais claro. A empresa também experimenta modelos de cobrança ligados ao resultado obtido, em vez de apenas ao volume de uso.
A Reuters informou ainda que, de acordo com Friar, a receita empresarial da OpenAI cresceu 32% de junho para julho, enquanto a receita anualizada total avançou 20% no mesmo período. Esses números foram apresentados pela executiva e não acompanhados, na reportagem, de demonstrações financeiras auditadas.
Competição também é por custo
A expansão ocorre em meio à concorrência com empresas como Anthropic e com modelos de pesos abertos desenvolvidos principalmente na China.
Friar disse que a OpenAI reduziu em 80% o preço do modelo Luna, movimento que teria provocado aumento de aproximadamente dez vezes no uso. Ela também afirmou que, em determinadas configurações de nuvem, executar o Luna pode sair mais barato do que alternativas abertas como o GLM 5.3, da Z.ai.
Essa comparação depende de infraestrutura, volume, configuração e fornecedor de nuvem. Portanto, a afirmação da OpenAI não significa que modelos fechados sejam universalmente mais baratos que modelos abertos.
A disputa por IA passa, assim, a envolver não apenas a capacidade dos modelos, mas também o custo total de operação — e a OpenAI tenta controlar mais uma parte dessa cadeia ao desenvolver seu próprio silício e ampliar parcerias com fabricantes de semicondutores.
Fontes
https://www.reuters.com/world/china/openai-offers-ai-chip-design-touts-cost-advantage-over-open-source-cfo-says-2026-09-09/ | https://www.reuters.com/world/asia-pacific/openai-says-working-with-samsung-next-generation-chips-deepening-cooperation-2026-09-09/ | https://openai.com/index/the-full-stack-behind-abundant-intelligence/ | https://openai.com/index/samsung-and-sk-join-stargate/ | https://openai.com/index/samsung-electronics-chatgpt-codex-deployment/ | https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Micro-chips_wafer_(59614).jpg
