A OpenAI defendeu nesta segunda-feira (21) que os Estados Unidos liderem um esforço internacional para criar padrões técnicos globais para sistemas de inteligência artificial de fronteira. A proposta mira uma fase em que modelos passam a participar de forma cada vez mais autônoma da própria pesquisa e desenvolvimento de novas IAs.
O plano inclui formas comuns de medir capacidades e riscos, critérios para supervisão humana e protocolos compartilhados para classificar, comunicar e responder a incidentes. Um dos focos é a chamada melhoria recursiva autônoma, ou recursive self-improvement (RSI), cenário em que sistemas de IA poderiam conduzir sucessivas etapas de pesquisa para produzir sistemas mais capazes.
Fonte primária: OpenAI — Building standards for the next phase of AI.
O que a OpenAI está propondo
A empresa afirma que padrões internacionais poderiam estabelecer uma base técnica comum para medição de capacidades, avaliação de riscos e suficiência de salvaguardas. Entre os exemplos apresentados estão métricas para acompanhar quanto da pesquisa dentro de um laboratório já é realizada de forma autônoma e regras para determinar quando um processo automatizado deve ser imediatamente revisado por uma pessoa.
A proposta também prevê níveis comuns de severidade e limiares para comunicação de incidentes relacionados a alinhamento e pesquisa automatizada de IA. A OpenAI defende ainda canais seguros entre governos e operadores de infraestrutura crítica para compartilhar vulnerabilidades, ameaças e práticas de segurança.
A companhia cita organismos já existentes, como ISO, Frontier Model Forum, Agentic AI Foundation e Open Secure AI Alliance, e sugere aproveitar estruturas públicas de avaliação para facilitar a cooperação entre países.
Padrão técnico não seria licença para lançar modelo
Há uma distinção importante na proposta. A OpenAI diz que os padrões técnicos não funcionariam, por si só, como licença, revisão prévia obrigatória ou autorização para lançar modelos. Cada governo decidiria se e como incorporaria essas referências ao próprio sistema jurídico.
A empresa também afirma que desenvolvedores de modelos abertos e fechados, especialistas independentes e universidades deveriam participar da elaboração dos padrões, com regras desenhadas para não favorecer empresas, países ou modelos de negócio específicos.
A Reuters informou que a proposta foi apresentada enquanto líderes mundiais se reúnem para a Assembleia Geral da ONU e em meio ao debate internacional sobre riscos de sistemas cada vez mais capazes. O CEO Sam Altman tem participação prevista em uma discussão no Conselho de Segurança da ONU sobre inteligência artificial e segurança internacional nesta semana.
A melhoria recursiva ainda não está acontecendo de forma plena
A própria OpenAI ressalva que a melhoria recursiva totalmente autônoma não ocorre hoje. O que já existe, segundo a empresa, é aceleração de partes da pesquisa: agentes de IA conseguem executar algumas tarefas que exigiriam dias de trabalho de pesquisadores humanos.
A companhia argumenta que essa capacidade também pode ser direcionada para segurança e alinhamento. Seu objetivo declarado é desenvolver pesquisadores automatizados de IA sob supervisão humana, usando gerações atuais de modelos para ajudar a tornar as seguintes mais seguras e controláveis.
A proposta desta segunda-feira aprofunda uma posição apresentada pela OpenAI em 9 de setembro, quando a empresa já havia defendido requisitos nacionais obrigatórios de segurança baseados em capacidade e padrões para monitorar modelos de fronteira. O fato novo agora é o desenho explícito de uma arquitetura internacional de padrões técnicos, com os EUA ocupando papel de liderança.
Fontes
OpenAI — Building standards for the next phase of AI, 21/09/2026: https://openai.com/index/building-standards-next-phase-ai/
Reuters — OpenAI calls for US to take lead in global efforts to develop technical standards, 21/09/2026: https://www.reuters.com/legal/government/openai-calls-us-take-lead-global-efforts-develop-technical-standards-2026-09-21/
