Renan Santos (Missão) reafirmou na sabatina do UOL e da Folha de S.Paulo, nesta sexta-feira (11), que pretende recorrer ao estado de defesa em áreas específicas dominadas por organizações criminosas quando considerar que operações convencionais não são suficientes.

A proposta já havia sido apresentada em agosto, quando o candidato citou pontos da Baixada Santista ligados à atuação do PCC. A nova entrevista serviu principalmente para delimitar melhor como ele imagina o instrumento.

▶ Vídeo (28:30): assista ao trecho sobre estado de defesa na sabatina

Renan rejeita ideia de estado de defesa permanente

Questionado sobre a expressão “regime de exceção permanente”, Renan respondeu que o estado de defesa não pode ser permanente e disse que pretende aplicá-lo apenas territorialmente e por períodos delimitados.

A Constituição prevê inicialmente até 30 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período se persistirem as razões que justificaram a medida. Na prática, isso permite chegar a até 60 dias em uma mesma decretação e prorrogação, sob as regras constitucionais e controle político previsto no texto.

Fonte primária: a Constituição Federal disciplina o estado de defesa no artigo 136 e prevê comunicação e apreciação pelo Congresso Nacional.

A explicação desta sexta deixa mais preciso um ponto que aparecia de forma menos delimitada em entrevistas anteriores: Renan fala em operações localizadas, não em colocar o país inteiro sob estado de defesa.

GLO seria alternativa quando bastasse

O candidato afirmou também que, onde o estado de defesa não fosse necessário, poderia recorrer a uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

Renan apresenta as duas ferramentas como parte de uma estratégia nacional contra PCC, Comando Vermelho e outras organizações que, segundo ele, já possuem estrutura armada, logística e financeira comparável a organizações militarizadas.

A escolha entre instrumentos dependeria, segundo o candidato, da região, da capacidade das forças locais e do tipo de operação planejada.

Confronto e rendição

Na sabatina, Renan voltou a usar linguagem dura sobre confronto com facções e disse que, se criminosos se renderem, não seria necessário haver mortes. Ao mesmo tempo, afirmou que organizações armadas e treinadas podem reagir e que o Estado deve estar preparado para confronto.

Essa retórica não elimina os limites jurídicos aplicáveis a qualquer operação policial ou militar. Uso da força continua submetido à Constituição, às leis, ao controle judicial e às regras de proporcionalidade e responsabilização.

No mesmo bloco, Renan afirmou ser pessoalmente favorável à pena de morte, mas disse que não pretende propor sua implantação durante um primeiro mandato. Essa posição foi tratada em matéria própria por ser uma declaração nova e distinta da proposta territorial de estado de defesa.

A substância da política de segurança permanece a mesma das entrevistas anteriores, mas a sabatina UOL/Folha acrescentou duas precisões relevantes: o estado de defesa seria localizado e temporário, e a GLO poderia ser usada como alternativa menos excepcional quando o governo considerasse suficiente.

Fontes

UOL/Folha / O Globo, Valor e CBN / Constituição Federal ↗

Sabatina UOL/Folha com Renan Santos — 11/09/2026: https://www.youtube.com/watch?v=q9lna0XucEE

Sabatina O Globo, Valor Econômico e CBN — 27/08/2026: https://www.youtube.com/live/Ec3woof0RCA?si=kcIoYYVGv967X5mt

Constituição Federal — arts. 136 e 137: https://www4.planalto.gov.br/legislacao/legis-federal/constituicao