Renan Santos voltou a defender o uso de inteligência artificial, big data e prontuários unificados no SUS, mas acrescentou na sabatina da Jovem Pan uma explicação mais clara sobre a mudança de posição que teve em relação ao sistema público de saúde.

O candidato disse que não era entusiasta do SUS e continua considerando ruim o atendimento em diversas áreas. Ao mesmo tempo, afirmou que passou a enxergar a estrutura centralizada e a cobertura universal como ativos que podem ganhar valor com a evolução tecnológica.

▶ Assista ao trecho (00:35:01): Renan explica por que mudou sua visão sobre o SUS

Centralização como vantagem para dados

Na avaliação de Renan, sistemas nacionais como o SUS e o NHS britânico podem ter vantagem nos próximos anos porque concentram grandes volumes de informação e escala de atendimento. Com dados integrados, seria possível usar modelos computacionais para prever demanda, organizar estoques, alocar profissionais e identificar riscos de saúde.

A campanha já havia apresentado essa linha em sabatina de O Globo, Valor Econômico e CBN, quando Renan defendeu um prontuário realmente unificado e uso de IA para gestão preditiva.

Na Jovem Pan, ele resumiu a mudança de visão dizendo que tecnologias que dependem de grandes bases de dados podem tornar a centralização mais útil do que era em um sistema analógico.

Renan reconhece universalização, mas critica atendimento

O candidato também reconheceu o papel do SUS na universalização do acesso à saúde a partir do fim dos anos 1980. Disse que, antes do sistema, trabalhadores fora de estruturas formais de previdência e assistência frequentemente dependiam de Santas Casas e instituições beneficentes.

Isso não significa que tenha passado a considerar o modelo atual satisfatório. Renan criticou filas, qualidade de atendimento e custo fiscal e afirmou que a transformação que imagina depende de integração tecnológica e reorganização do gasto.

IA não resolve sozinha os gargalos

A proposta parte de uma hipótese plausível — usar dados integrados para melhorar planejamento —, mas a implementação exige mais do que um modelo de IA. Sistemas de saúde precisam de dados interoperáveis, registros de qualidade, infraestrutura digital, proteção de informações pessoais, governança e mecanismos de revisão humana.

Renan não detalhou na Jovem Pan custo, cronograma, arquitetura técnica ou regras específicas de privacidade para o projeto. Esses pontos seriam necessários para transformar a diretriz em política pública executável.

Mudança também aparece na visão sobre o Estado

A fala sobre o SUS veio durante um bloco em que Renan explicou ter abandonado uma visão mais rígida de que a presença estatal é necessariamente negativa. Ele ainda defende corte de gastos e privatizações em áreas que considera não estratégicas, mas passou a sustentar papel ativo do Estado em saúde, segurança, tecnologia e setores ligados à soberania.

A mudança, portanto, não é apenas sobre o SUS. Ela faz parte de uma revisão mais ampla do liberalismo econômico associado aos primeiros anos do MBL.

Fontes

Jovem Pan / O Globo, Valor e CBN ↗

https://www.youtube.com/watch?v=bifNpN4uU6o | https://www.youtube.com/live/Ec3woof0RCA?si=kcIoYYVGv967X5mt