Renan Antônio Ferreira dos Santos, nascido em 14 de fevereiro de 1984, em São Paulo, é empresário, ativista político, cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e presidente nacional do Partido Missão. Em 2026, aos 42 anos, entrou pela primeira vez em uma eleição como candidato — diretamente na disputa pela Presidência da República.
A candidatura é o ponto mais recente de uma trajetória política que começou fora dos partidos, ganhou dimensão nacional durante a crise do governo Dilma Rousseff, passou pelo apoio e posterior rompimento com Jair Bolsonaro e terminou, mais de uma década depois, na criação de uma legenda própria.
Quem é Renan Santos
Renan nasceu na capital paulista e cresceu no bairro da Mooca. Filho de um advogado e de uma psicóloga, ingressou no curso de Direito da Universidade de São Paulo (USP), mas não concluiu a graduação. Depois deixou a faculdade e trabalhou com o pai em atividades empresariais.
Foi ainda nesse período que começou a se envolver mais diretamente com política. Renan participou das mobilizações de junho de 2013 e, no ano seguinte, ajudou a fundar o MBL ao lado de nomes como Kim Kataguiri, Alexandre Santos, Rafael Rizzo e outros ativistas.
O movimento nasceu em 2014 com discurso liberal, forte atuação digital e defesa de pautas como liberdade econômica, separação de Poderes e combate a privilégios. A estrutura de redes sociais, vídeos e mobilização de rua que depois se tornaria marca do grupo começou a ganhar escala justamente nesse período.
O MBL e o impeachment de Dilma Rousseff
A projeção nacional de Renan está diretamente ligada às manifestações contra o governo de Dilma Rousseff.
Entre 2015 e 2016, o MBL foi um dos grupos que convocaram e organizaram protestos pelo impeachment. Renan participou da articulação e chegou a ocupar a vice-presidência do chamado Comitê do Impeachment, que reuniu organizações favoráveis ao afastamento da então presidente.
Dilma foi afastada definitivamente pelo Senado em agosto de 2016. Para o MBL, aquele processo transformou um movimento até então conhecido principalmente nas redes em uma organização com presença nacional e capacidade de eleger ou apoiar candidatos.
Renan, porém, continuou nos bastidores. Em vez de disputar um cargo, atuou na organização política e em campanhas de aliados.
O apoio a Bolsonaro em 2018 e a ruptura depois da eleição
Em 2018, o MBL apoiou Jair Bolsonaro no segundo turno contra Fernando Haddad. Renan e outros dirigentes do movimento, no entanto, romperam com o presidente no ano seguinte.
A partir daí, o grupo tentou construir uma posição própria na direita brasileira: oposição ao PT, mas também cada vez mais crítica ao bolsonarismo. Em 2021, o MBL chegou a defender o impeachment de Bolsonaro; na eleição presidencial de 2022, apoiou o voto nulo no segundo turno.
Essa ruptura é importante para entender a identidade política que Renan tenta apresentar em 2026. Ele se coloca como parte de uma direita não bolsonarista, com discurso liberal na economia, linha dura na segurança pública e críticas tanto a Lula quanto ao grupo político da família Bolsonaro.
Do MBL ao Partido Missão
Durante anos, integrantes do MBL disputaram eleições por partidos como DEM, Podemos e União Brasil. A dificuldade de controlar candidaturas e decisões internas dessas siglas fortaleceu dentro do movimento a ideia de criar um partido próprio.
O projeto começou formalmente em 2023. O Partido Missão foi registrado em cartório civil em outubro daquele ano e passou a buscar o número mínimo de assinaturas exigido pela Justiça Eleitoral.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, a legenda apresentou 577.999 apoios válidos, acima do mínimo legal, e comprovou diretórios estaduais em pelo menos nove unidades da Federação.
Em 4 de novembro de 2025, o TSE aprovou por unanimidade o registro e homologou o estatuto do Missão. A legenda recebeu o número 14 e se tornou o 30º partido registrado no Tribunal naquele momento. Renan passou a constar como seu presidente nacional.
O estatuto define o partido como liberal e inclui entre seus princípios liberdade econômica, liberdades civis, combate a privilégios, responsabilidade com recursos públicos e defesa do regime democrático.
A primeira candidatura veio direto para a Presidência
Apesar de mais de dez anos de atuação política, Renan nunca havia sido candidato. Sua estreia eleitoral aconteceu em 2026, quando o Missão decidiu lançar candidatura própria à Presidência em sua primeira eleição nacional.
A convenção partidária oficializou a chapa de Renan com o tenente-coronel da reserva Aroldo Medina como candidato a vice-presidente.
A estratégia de campanha mantém vários elementos que já marcavam o MBL: forte presença nas redes sociais, linguagem de confronto, mobilização de militantes digitais e tentativa de transformar temas complexos em propostas facilmente identificáveis.
O que Renan Santos defende
A campanha de Renan reúne propostas liberais na economia com uma agenda mais dura em segurança e mudanças profundas na estrutura do Estado.
Na área fiscal, ele defende redução de gastos e um ajuste de longo prazo. No mercado de trabalho, propõe criar um regime alternativo entre a CLT e o MEI, tema detalhado pelo AVATIX News em Renan propõe regime trabalhista alternativo entre CLT e MEI. Também afirma que pretende substituir gradualmente a estrutura da Justiça do Trabalho por um modelo baseado na Justiça Civil; veja Renan defende substituição gradual da Justiça do Trabalho.
Em outra frente econômica, Renan critica políticas protecionistas como a chamada taxa das blusinhas, defendendo que o país deveria atacar problemas estruturais de competitividade. O posicionamento está em Renan critica taxa das blusinhas e protecionismo ao varejo.
Na segurança pública, o candidato defende tratamento jurídico mais rígido para organizações criminosas, superpresídios e ampliação da capacidade do Estado de enfrentar facções. Uma das propostas mais controversas é o uso do conceito de “direito penal do inimigo”, cuja aplicação e possíveis efeitos sobre garantias individuais foram discutidos em Renan detalha proposta para facções e é cobrado sobre garantias.
Na área social, uma das principais bandeiras é a chamada desfavelização, combinando regularização, urbanização e mudanças em políticas assistenciais. O programa também apresenta reformas administrativas, educacionais e de infraestrutura reunidas pelo partido no chamado Livro Amarelo.
As propostas podem ser atualizadas durante a campanha. Por isso, esta página funciona como um perfil central e os links para matérias específicas mostram o detalhamento e as mudanças de posição conforme elas acontecem.
Uma trajetória marcada por mobilização e controvérsia
A história de Renan também acompanha as controvérsias do MBL. O movimento participou de campanhas culturais e políticas polarizadoras, apoiou Bolsonaro antes de romper com ele e foi criticado em episódios de divulgação de informação falsa ou imprecisa ao longo de sua atuação.
Em 2026, a própria campanha presidencial de Renan enfrentou uma crise jurídica quando o TSE questionou alterações na relação de perfis de redes sociais informados à Justiça Eleitoral. A campanha chegou a sofrer restrições temporárias, posteriormente revistas. O AVATIX News acompanhou o caso em Toffoli recua e libera campanha, debates e redes de Renan.
A combinação de ativismo digital, confronto público e construção institucional ajuda a explicar por que Renan é uma figura diferente de candidatos que chegaram à Presidência depois de carreiras tradicionais em cargos eletivos.
Afinal, quem é Renan Santos?
Renan Santos é menos um estreante na política do que um estreante nas urnas.
Ele passou mais de uma década atuando como articulador, dirigente de movimento, organizador de campanhas e formulador político antes de aparecer pela primeira vez como candidato. Sua trajetória conecta três momentos importantes da direita brasileira recente: a mobilização pelo impeachment de Dilma, a ascensão e ruptura com Bolsonaro e a tentativa de construir uma alternativa partidária própria por meio do Missão.
Em 2026, a pergunta central deixa de ser apenas como Renan mobiliza movimentos e redes sociais. A candidatura presidencial coloca à prova se a estrutura que ele ajudou a construir desde o MBL consegue se transformar em voto, bancada parlamentar e poder institucional duradouro.
Fontes
TSE / Folha de S.Paulo / CNN Brasil / Agência Brasil ↗
TSE — registro e homologação do Partido Missão: https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2025/Novembro/tse-aprova-registro-e-homologa-estatuto-do-partido-missao
Folha de S.Paulo — trajetória política de Renan Santos: https://www1.folha.uol.com.br/webstories/politica/2026/08/conheca-a-trajetoria-politica-de-renan-santos/
Folha de S.Paulo — como surgiu o Partido Missão: https://www1.folha.uol.com.br/webstories/politica/2026/08/como-surgiu-o-partido-missao/
CNN Brasil — perfil de Renan Santos: https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/quem-e-renan-santos-candidato-do-partido-missao-a-presidencia/
Agência Brasil — Renan Santos é candidato do Missão à Presidência: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-08/defensor-do-impeachment-em-2016-renan-santos-e-candidato-do-missao
Agência Brasil — oficialização da candidatura: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-07/partido-missao-oficializa-renan-santos-como-candidato-presidencia
