Renan Santos (Missão) afirmou na sabatina da Jovem Pan que, se eleito presidente, não pretende privatizar a Petrobras nem a Embrapa. Ao mesmo tempo, disse que mantém a defesa da privatização dos Correios e de outras empresas que considera sem função estratégica para o país.
A resposta marca uma diferença em relação à imagem de liberalismo econômico associada ao MBL em seus primeiros anos. Na própria entrevista, Renan reconheceu que o movimento já tratou o Estado de forma muito mais negativa e disse hoje defender uma combinação de disciplina fiscal com atuação estatal em áreas estratégicas.
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Por que ele quer manter a Petrobras
Renan justificou a posição principalmente pela geopolítica do petróleo. Segundo ele, energia e commodities podem ser usadas como instrumentos de pressão em conflitos internacionais, o que torna importante para o Brasil preservar capacidade própria de decisão sobre reservas e produção.
O candidato também afirmou que manter a Petrobras estatal não significa fechar o setor à iniciativa privada. Ele defendeu a presença de outras empresas privadas em exploração, refino e distribuição, em concorrência com a companhia.
Durante a explicação, Renan especulou que uma eventual privatização poderia terminar com a compra de ativos por estatais estrangeiras, citando Saudi Aramco e PetroChina. Essa parte é um argumento hipotético do candidato, não uma informação de que essas empresas estejam preparando ofertas pela Petrobras.
Embrapa entra no mesmo grupo estratégico
A Embrapa também foi tratada como exemplo de estatal que Renan considera bem-sucedida. Ele associou o avanço da agricultura brasileira à combinação entre pesquisa pública, universidades ligadas ao setor agrário, expansão das fronteiras agrícolas e crédito.
Na avaliação do candidato, há setores em que o investimento inicial, a concentração de capital necessária ou o valor estratégico justificam presença ativa do Estado.
Essa defesa convive com a promessa de enxugamento da máquina pública. Renan voltou a falar em corte de gastos, redução de subsídios e privatização de empresas que não considera essenciais.
Correios ficariam do outro lado da lista
Questionado sobre quais empresas venderia, Renan citou os Correios como exemplo de companhia que privatizaria. A posição foi registrada também em reportagem da Agência Estado após a sabatina.
O candidato não apresentou naquele bloco uma lista fechada de todas as estatais que seriam mantidas ou vendidas. O critério exposto foi o caráter estratégico: petróleo, pesquisa agropecuária e outras áreas ligadas à soberania poderiam permanecer sob controle público; empresas fora desse núcleo seriam avaliadas para privatização.
Uma mudança de formulação econômica
Na mesma entrevista, Renan criticou o que chamou de liberalismo “infantil” baseado apenas em retirar o Estado e privatizar. Disse continuar fiscalista e favorável a um Estado mais enxuto, mas passou a defender coordenação pública em segurança, tecnologia, saúde e setores estratégicos.
A combinação ajuda a definir uma mudança importante no discurso econômico do candidato: menos privatização como princípio geral e mais seleção caso a caso conforme a função que atribui a cada empresa.
Fontes
https://www.youtube.com/watch?v=bifNpN4uU6o | https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2026/09/08/renan-santos-diz-que-e-contra-privatizacao-da-petrobras-e-embrapa-mas-nao-dos-correios.htm | https://commons.wikimedia.org/wiki/File:SedePetrobras.JPG