Um grupo de ciberespionagem alinhado à China se passou por especialistas em inteligência artificial, ex-integrantes do governo dos Estados Unidos e até um funcionário da Anthropic para tentar roubar credenciais de pessoas envolvidas em política de IA. A campanha foi detalhada nesta quinta-feira (1º) pela empresa de segurança Proofpoint, que rastreia o grupo como TA419.

Segundo a Proofpoint, os alvos trabalhavam em organizações como think tanks, universidades e escritórios de advocacia. A Reuters também relatou que o grupo vem mirando pessoas em instituições dos Estados Unidos e do Japão, incluindo organizações ligadas a defesa e pesquisa.

Relatório técnico: a Proofpoint detalha as campanhas atribuídas ao TA419 e os métodos usados nos ataques.

Como funcionava o ataque

Em julho, os invasores se passaram por Lynne Parker, ex-integrante da liderança do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, e pela economista e especialista em política externa Heidi Crebo-Rediker.

Os primeiros e-mails evitavam uma abordagem claramente maliciosa. Em vez disso, apresentavam convites aparentemente profissionais, como participar de um suposto “AI Policy Advisory Committee” ou contribuir para um relatório sobre controles de exportação e cadeias de suprimentos de IA.

Quando o alvo respondia, o grupo enviava um link que passava por uma cadeia de redirecionamentos e terminava em uma página falsa preparada para capturar credenciais de contas em nuvem. A Proofpoint afirma que a estrutura mirava contas Microsoft 365 / Entra ID e empregava técnicas de adversary-in-the-middle, capazes de tornar a fraude mais convincente.

Anthropic também foi usada como isca

A empresa de segurança identificou ainda uma campanha de fevereiro de 2026 em que o TA419 teria se passado por um funcionário sênior da Anthropic para abordar um analista de política de IA de um think tank americano.

O e-mail fazia referência à integração militar do Claude, aproveitando um tema real e sensível do setor para tornar o contato plausível.

A combinação de identidade real, assunto especializado e conversa inicial aparentemente legítima mostra por que esse tipo de ataque pode ser mais difícil de reconhecer do que campanhas genéricas de phishing.

O que o grupo buscava

A Proofpoint avalia que o TA419 atua com motivação de espionagem e que o foco em especialistas de IA está ligado ao interesse por regulação, controles de exportação, segurança nacional e estratégia tecnológica.

A atribuição é da empresa de cibersegurança: ela classifica o TA419 como um ator alinhado à China, com base em infraestrutura, ferramentas e padrão de alvos observados. A Reuters registrou que autoridades chinesas historicamente negam acusações de ciberespionagem.

Não há, no relatório, base para afirmar que todos os alvos tiveram suas contas comprometidas. O fato confirmado é a existência das tentativas de phishing e da infraestrutura identificada pelos pesquisadores.

Como reduzir o risco

A Proofpoint recomenda autenticação resistente a phishing, como passkeys, e que contatos profissionais inesperados sejam confirmados por um segundo canal independente antes de abrir links ou fornecer credenciais.

O episódio também evidencia que a disputa em torno da inteligência artificial não envolve apenas modelos e chips: informações sobre regras futuras, restrições de exportação e decisões governamentais também podem ter valor estratégico.

Fontes

Proofpoint / Reuters ↗

Proofpoint — relatório técnico sobre o TA419 e as campanhas contra especialistas em política de IA: https://www.proofpoint.com/us/blog/threat-insight/hallucinating-credibility-china-aligned-ta419-impersonates-its-way-us-ai-policy

Reuters — hackers se passaram por especialistas e ex-integrante do governo dos EUA para tentar roubar e-mails e credenciais: https://www.reuters.com/legal/government/chinese-hackers-impersonated-ex-us-official-steal-emails-ai-experts-2026-10-01/