O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriu uma investigação para apurar uma rede de perfis no Instagram que, segundo ação apresentada pela coligação do presidente Lula, teria usado publicações em coautoria — as chamadas collabs — para ampliar a circulação de conteúdo eleitoral ligado à campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
A ação também envolve o candidato a vice Alfredo Gaspar (PL) e o deputado federal Mario Frias (PL-SP). O corregedor-geral da Justiça Eleitoral em exercício, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou o processamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral e medidas para preservar provas digitais.
A abertura do processo não significa que o TSE tenha concluído que houve irregularidade. A decisão considera que os fatos narrados podem, em tese, justificar investigação por possível uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder econômico ou político. Os investigados terão oportunidade de apresentar defesa antes do julgamento do mérito.
Decisão em contexto: reportagens da Folha de S.Paulo e do Metrópoles detalham as diligências determinadas pelo corregedor e ressaltam que a apuração está em fase inicial.
O que o TSE mandou preservar
A decisão obriga a Meta, responsável pelo Instagram, a preservar registros de conexão, acesso, cadastro e conteúdo das contas indicadas no processo, incluindo metadados das publicações em coautoria. Também foram solicitados dados de titulares e administradores, IPs de criação e acesso dos últimos 90 dias e informações que possam revelar contas vinculadas por administrador, telefone, e-mail ou dispositivo.
As informações devem ser encaminhadas sob sigilo e usadas na instrução da ação. O objetivo é permitir que a Justiça Eleitoral identifique quem operava os perfis e se existia coordenação entre eles.
Segundo o levantamento apresentado pela coligação autora da ação, uma atualização entregue ao TSE contabilizou 1.826 publicações em collab envolvendo 492 perfis. Esses números são dados da acusação apresentados ao processo, e não uma constatação definitiva do tribunal sobre prática ilícita.
Links comerciais também entram na apuração
Outro eixo do processo envolve perfis que divulgavam links para produtos de campanha vendidos pela Bella Chic Store, na Shopee. Cueva determinou a suspensão da divulgação dos links comerciais indicados e pediu que a plataforma forneça informações sobre os responsáveis pela loja e sobre eventual participação no programa de afiliados.
A decisão prevê multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento das determinações dirigidas às plataformas, segundo a cobertura do processo.
O que está em disputa
A acusação sustenta que o uso coordenado de collabs poderia produzir um efeito semelhante ao impulsionamento de propaganda eleitoral, fazendo publicações de candidatos aparecerem também em páginas de apoio e alcançarem públicos que não seguem as contas oficiais. A investigação deverá determinar se houve coordenação, benefício eleitoral irregular, gasto não declarado ou outra violação das regras de campanha.
Por enquanto, portanto, há uma investigação eleitoral em curso, e não uma condenação. A distinção é essencial: as alegações foram apresentadas pela coligação adversária, enquanto a decisão do TSE preserva dados e permite a apuração dos fatos antes de qualquer conclusão sobre responsabilidade dos investigados.
Fontes
Folha de S.Paulo / Metrópoles ↗
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/09/tse-abre-investigacao-sobre-rede-de-collabs-ligada-a-flavio-bolsonaro-no-instagram.shtml | https://www.metropoles.com/colunas/milena-teixeira/tse-manda-meta-preservar-dados-de-perfis-que-promovem-flavio-no-instagram | https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/tse-investiga-flavio-gaspar-e-mario-frias-por-suspeita-de-impulsionamento-irregular-de-posts,379bd573fd640a15db368f09ce0b59ef8ha5p73g.html | https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fl%C3%A1vio_Bolsonaro_01.09.26.jpg
