Autoridades da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) relataram a uma delegação da França e da Alemanha a existência de suposta interferência dos Estados Unidos e da Rússia antes das eleições brasileiras de 2026, segundo fontes e documentos obtidos pela Reuters e divulgados nesta quarta-feira (30).
A informação é uma avaliação atribuída à inteligência brasileira em relato de reunião, e não uma conclusão independente da Reuters sobre a ocorrência de interferência. A reportagem também afirma que não foram apresentados detalhes sobre a suposta atuação russa.
O que foi relatado
A delegação francesa e alemã esteve em Brasília entre 9 e 11 de setembro, em uma visita ligada a discussões sobre a implementação do Digital Services Act (DSA) da União Europeia e respostas coordenadas a riscos eleitorais.
Segundo um relatório das reuniões citado pela Reuters, integrantes da Abin teriam afirmado que a interferência dos Estados Unidos iria de formas de instrumentalização do sistema jurídico a ações descritas como abertamente reconhecidas. O documento também registra referência à Rússia, mas sem detalhar qual seria a conduta atribuída a Moscou.
Apuração: a Reuters afirma ter consultado fontes e documentos das reuniões. Até a publicação da reportagem, o Departamento de Estado dos EUA não havia comentado o novo relato; a embaixada russa e a Abin também não haviam respondido aos pedidos de comentário da agência.
Contexto já vinha sendo acompanhado
O episódio acrescenta um fato novo a uma discussão que já vinha ocorrendo durante a campanha. Em setembro, reportagens sobre um relatório reservado da Abin apontaram que a agência avaliava como elevado o risco de pressão e influência externa dos Estados Unidos sobre o processo eleitoral brasileiro.
A nova revelação é relevante porque mostra que essa avaliação foi apresentada também a representantes europeus em uma reunião internacional e inclui uma referência adicional à Rússia.
O que não está comprovado pelo relato
A existência da reunião e do documento relatado pela Reuters não significa, por si só, que todas as acusações de interferência tenham sido comprovadas. A própria reportagem distingue as avaliações atribuídas à Abin das respostas dos governos citados.
Washington já negou anteriormente buscar interferir nas eleições brasileiras. Moscou também nega historicamente acusações de ingerência em processos eleitorais de outros países. No caso da Rússia, a reportagem desta quarta não descreve ações específicas atribuídas ao país.
Por que isso importa às vésperas da eleição
O primeiro turno está marcado para domingo, 4 de outubro. Alegações de ingerência estrangeira, campanhas de influência e ataques cibernéticos ganham peso adicional na reta final porque podem afetar a confiança no processo eleitoral e a relação diplomática do Brasil com outros países.
O AVATIX News continuará tratando separadamente fatos comprovados, documentos, declarações oficiais e alegações de interferência. Novas evidências, respostas formais dos governos citados ou medidas da Justiça Eleitoral devem ser incorporadas à cobertura conforme forem confirmadas.
Fontes
Reuters / SBT News / Folha de S.Paulo ↗
https://www.reuters.com/world/americas/brazil-briefed-french-german-officials-alleged-us-russian-election-interference-2026-09-30/, https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/eleicoes/brasil-alerta-ue-de-interferencia-eleitoral-dos-eua-e-russia, https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/abin-alertou-franca-e-alemanha-sobre-suposta-interferencia-dos-eua-e-da-russia-nas-eleicoes.shtml
