Grandes empresas e órgãos públicos estão aumentando investimentos em resiliência de infraestrutura digital diante de riscos geopolíticos, ataques cibernéticos e maior dependência de poucos fornecedores de tecnologia.

É o que mostra uma pesquisa da Capgemini com cerca de 1.300 executivos em 11 países, divulgada nesta terça-feira (8).

O levantamento indica que conselhos de administração passaram a tratar infraestrutura digital — nuvem, chips, data centers, software crítico, modelos de IA e dados — com importância estratégica semelhante à de energia e cadeias físicas de suprimento.

Dependência de fornecedor virou risco de continuidade

Um dos pontos centrais é a dificuldade de substituir rapidamente tecnologias essenciais.

Quase metade dos entrevistados afirmou que levaria entre três meses e um ano para trocar um fornecedor crítico. Mais de um terço disse que a substituição poderia levar ainda mais tempo.

Esse prazo pode ser relevante em cenários de sanções, controles de exportação, falhas prolongadas ou conflitos que afetem data centers e redes.

Empresas não pretendem abandonar todos os fornecedores

A estratégia descrita no estudo não é uma busca por autossuficiência completa.

Em vez disso, organizações estão mapeando quais dependências são realmente críticas e onde precisam de alternativas prontas.

A ideia de substituibilidade aparece como elemento central: uma empresa pode continuar usando um fornecedor dominante, desde que saiba como migrar funções essenciais caso a relação seja interrompida.

Dados e modelos de IA entram na discussão de soberania

Com a expansão da inteligência artificial, a preocupação deixou de se limitar a servidores e conectividade.

Empresas também querem preservar controle sobre ativos digitais próprios, como bases de dados, modelos de IA, propriedade intelectual e sistemas de decisão.

A discussão de soberania digital, portanto, passa a envolver não apenas onde uma infraestrutura está fisicamente localizada, mas também quem controla as tecnologias necessárias para operá-la.

Geopolítica tornou o risco mais concreto

Ataques a infraestruturas digitais e energéticas durante conflitos recentes ajudaram a transformar uma preocupação teórica em problema de continuidade operacional.

Controles de exportação sobre semicondutores e equipamentos avançados também mostraram como decisões políticas podem afetar rapidamente cadeias tecnológicas globais.

O resultado é uma mudança de postura: resiliência digital deixa de ser apenas tema das equipes de TI e passa a entrar na agenda de conselhos, gestão de risco e estratégia corporativa.

Fontes

Reuters ↗

https://www.reuters.com/business/boards-prepare-digital-infrastructure-shocks-survey-says-2026-09-08/