Um cessar-fogo localizado mediado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) entrou em vigor neste sábado (5) para permitir reparos urgentes em uma linha de energia que atende a usina nuclear de Zaporizhzhia, no sudeste da Ucrânia.
A instalação, a maior usina nuclear da Europa, está sem alimentação elétrica externa desde 20 de agosto e depende de geradores de emergência a diesel para manter sistemas essenciais, incluindo o resfriamento dos seis reatores e das piscinas de combustível usado.
Segundo a AIEA, os estoques de diesel estão sob pressão e a usina poderia enfrentar uma perda total de energia em poucos dias caso a conexão externa não seja restaurada ou novos suprimentos de combustível não cheguem ao local.
Documento oficial: a AIEA detalhou o cessar-fogo, a situação dos geradores e o início dos reparos em sua atualização sobre a Ucrânia.
Reparos começaram após retirada de minas
A linha afetada é a Ferosplavna-1, de 330 quilovolts. De acordo com a agência nuclear da ONU, técnicos ucranianos poderiam iniciar os trabalhos depois da retirada de minas na área coberta pelo acordo temporário.
Uma equipe da AIEA acompanha os reparos no local. Este é o sétimo cessar-fogo localizado negociado pela agência para permitir trabalhos relacionados à segurança nuclear durante a guerra.
A Reuters informou que o acordo deve criar uma janela de aproximadamente uma semana para as atividades. Autoridades russas e ucranianas continuam trocando acusações sobre operações militares que colocam em risco a segurança da instalação.
Por que energia externa continua necessária
Os reatores de Zaporizhzhia estão desligados, mas isso não elimina a necessidade de eletricidade. Sistemas de resfriamento e outros equipamentos de segurança precisam continuar operando para remover o calor residual do combustível nuclear e manter as piscinas de combustível usado em condições seguras.
Na atualização deste sábado, a AIEA afirmou que o número de geradores de emergência em operação havia sido reduzido de quatro para dois para economizar diesel. A agência também foi informada de que algumas bombas de resfriamento passaram a funcionar de forma intermitente como medida de conservação de energia.
O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, classificou a situação como preocupante e afirmou que nenhuma usina nuclear deveria precisar reduzir a operação de sistemas essenciais de resfriamento para poupar combustível.
Usina permanece sob controle russo
Forças russas tomaram a instalação nas primeiras semanas da invasão em 2022. Equipes da AIEA permanecem em Zaporizhzhia desde setembro daquele ano para monitorar condições de segurança nuclear e registrar incidentes próximos ao complexo.
Embora os reatores estejam desligados e produzam menos calor residual do que durante a operação normal, a agência reforça que uma perda completa e prolongada de energia precisa ser evitada.
A importância do acordo deste sábado está justamente em abrir uma janela de segurança para restaurar a conexão elétrica antes que a dependência dos geradores se torne ainda mais crítica.
Fontes
https://www.reuters.com/business/energy/brokered-ceasefire-takes-effect-repairs-zaporizhzhia-nuclear-plant-2026-09-05/ | https://www.iaea.org/newscenter/pressreleases/update-365-iaea-director-general-statement-on-situation-in-ukraine | https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Zaporizhzhya_Nuclear_Power_Plant_(02011832).jpg
