O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que seja investigada uma acusação feita por Renan Santos (Missão) sobre uma possível participação estrangeira na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).

Renan afirma que pessoas ligadas à Rockbridge Network, organização conservadora americana associada ao vice-presidente dos Estados Unidos J.D. Vance, mantiveram contatos com integrantes ou apoiadores da campanha de Flávio e teriam interesse político e empresarial em temas como terras raras no Brasil.

A alegação ganhou uma nova dimensão nesta sexta-feira (11) porque deixou de ser apenas uma fala de campanha e passou a gerar um pedido formal de apuração.

Na sabatina, Renan não apresentou prova de repasse direto

Durante a sabatina de UOL e Folha de S.Paulo, Renan foi pressionado a apresentar provas de que a campanha de Flávio teria recebido dinheiro estrangeiro.

O candidato respondeu que possui elementos sobre relações e contatos entre pessoas ligadas à Rockbridge e integrantes do entorno da campanha, mas não apresentou durante a entrevista comprovante de transferência financeira para a candidatura.

▶ Vídeo (15:25): assista ao bloco sobre Rockbridge na sabatina UOL/Folha

Renan chegou a dizer que duvida de um repasse estrangeiro direto para a campanha e afirmou que sua suspeita é de eventual apoio indireto, estrutura ou serviços que precisariam ser investigados.

Ele também disse que, no momento, pretende entregar informações a jornalistas em vez de apresentar pessoalmente uma ação eleitoral.

Por isso, seria incorreto afirmar que financiamento estrangeiro da campanha de Flávio está comprovado. O que existe publicamente é uma acusação de Renan, relações e contatos citados por reportagens e, agora, um pedido para que autoridades apurem se houve ou não irregularidade.

Citados confirmam contato, mas negam repasse

Segundo a Folha de S.Paulo, pessoas citadas no episódio reconheceram contatos com a Rockbridge, mas negaram transferência de recursos para a campanha.

Pedro Sang, citado por Renan, confirmou contato com a organização americana, mas negou repasses. Tallis Gomes, também mencionado pelo candidato, negou estar levantando dinheiro para Flávio.

Até as reportagens publicadas nesta sexta, não havia prova pública de que a Rockbridge tenha colocado dinheiro, bens ou serviços na campanha presidencial brasileira.

O que Lindbergh pediu

Lindbergh pediu que sejam verificadas contas de campanha, movimentações financeiras, contratos e relações entre pessoas citadas, além de eventual cooperação com autoridades americanas.

O pedido não significa que o STF tenha concluído pela existência de financiamento estrangeiro nem que tenha reconhecido crime eleitoral. É uma solicitação para que os fatos sejam investigados.

A reportagem da Folha informa ainda que o parlamentar pediu que, caso a acusação não se sustente, seja analisada a eventual responsabilidade por uma denúncia falsa.

Recursos estrangeiros são vedados

A Lei das Eleições estabelece fontes que candidatos e partidos não podem utilizar e veda recursos provenientes de entidade ou governo estrangeiro.

Fonte oficial: o TSE disponibiliza a Lei 9.504/1997, que disciplina arrecadação e fontes vedadas nas campanhas eleitorais.

A existência de contato político, ideológico ou empresarial com pessoas no exterior não é, por si só, financiamento eleitoral estrangeiro. Para caracterizar uma irregularidade desse tipo, seria necessário demonstrar o ingresso ou uso de recursos, bens, serviços ou outra vantagem eleitoral de origem vedada conforme a legislação aplicável.

Acusação entra de vez na disputa eleitoral

Renan já vinha usando a relação de Flávio com aliados de Donald Trump como argumento político. Na sabatina, chamou o adversário de “vassalo” do governo americano e relacionou a aproximação à disputa sobre minerais estratégicos.

A novidade desta sexta não é a existência da acusação em si, mas a passagem do discurso eleitoral para uma tentativa de investigação institucional.

O AVATIX News seguirá tratando separadamente três níveis diferentes: contatos que podem ser documentados, alegações de apoio político ou empresarial e eventual financiamento de campanha, que até agora não foi comprovado publicamente.

Fontes

Folha de S.Paulo / UOL / TSE / sabatina UOL-Folha ↗

Folha de S.Paulo — Lindbergh pede ao STF investigação sobre acusação de Renan: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/09/lindbergh-pede-ao-stf-que-investigue-acusacao-de-renan-sobre-financiamento-estrangeiro-a-flavio-bolsonaro.shtml

UOL — Renan acusa Flávio de receber dinheiro ligado a grupo de J.D. Vance: https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2026/09/11/renan-acusa-flavio-de-dinheiro-de-grupo-de-jd-vance.ghtm

Sabatina UOL/Folha com Renan Santos — 11/09/2026: https://www.youtube.com/watch?v=q9lna0XucEE

TSE — Lei das Eleições, fontes vedadas: https://www.tse.jus.br/legislacao/codigo-eleitoral/lei-das-eleicoes/lei-das-eleicoes-lei-nb0-9.504-de-30-de-setembro-de-1997