A OpenAI contestou as acusações da Apple de que teria se beneficiado de segredos comerciais levados por ex-funcionários da fabricante do iPhone para sua nova divisão de hardware.
Em documento apresentado ao Tribunal Distrital dos Estados Unidos em San José, na Califórnia, a empresa afirmou que a Apple não demonstrou que informações confidenciais tenham sido apropriadas de forma ilícita. A manifestação foi protocolada na noite de segunda-feira, 31 de agosto, e repercutiu nesta terça-feira, 1º de setembro.
A posição da OpenAI é uma defesa apresentada no processo e não representa uma conclusão da Justiça. As acusações da Apple também permanecem como alegações ainda submetidas à análise judicial.
O que a Apple alega
A Apple processou a OpenAI em julho e incluiu na ação dois ex-funcionários, Tang Tan e Chang Liu. A companhia afirma que informações ligadas a design de hardware, fabricação e cadeia de suprimentos teriam sido levadas para a concorrente enquanto a OpenAI amplia seus planos de entrar no mercado de dispositivos de consumo.
A Apple sustenta que ex-empregados acessaram ou mantiveram arquivos internos e que sua investigação encontrou indícios de uso inadequado de material confidencial. O processo ocorre justamente quando a OpenAI monta uma operação própria de hardware e recruta profissionais experientes do setor.
O que a OpenAI respondeu
A OpenAI nega ter usado segredos comerciais da Apple. Em sua resposta, a empresa argumenta que parte da controvérsia decorre dos próprios procedimentos internos da Apple para desligamento de funcionários e gerenciamento de documentos.
Segundo a defesa, práticas como permitir o uso de contas pessoais do iCloud para determinadas atividades de trabalho podem dificultar a separação entre arquivos pessoais e corporativos quando alguém deixa a companhia. A OpenAI também afirma que a Apple tenta transformar a movimentação de profissionais entre empresas concorrentes em indício de conduta ilegal.
Documentos citados pela Reuters indicam que a OpenAI contratou cerca de 400 ex-funcionários da Apple para sua iniciativa de hardware. O número, por si só, não comprova apropriação de informações confidenciais.
Tang Tan e Chang Liu também negam as acusações centrais. Liu afirmou que acessos posteriores a documentos ocorreram para ajudar antigos colegas a localizar arquivos ou responder dúvidas de trabalho. Tan disse ter devolvido protótipos da Apple antes de sair e mantido apenas materiais que considera não confidenciais.
Disputa acontece enquanto OpenAI avança em hardware
O processo amplia a tensão entre duas empresas que, até recentemente, mantinham uma parceria importante em inteligência artificial. A Apple integrou o ChatGPT a recursos de seus sistemas, enquanto a OpenAI passou a investir diretamente em novos dispositivos e interfaces para IA.
A disputa é relevante porque pode definir limites sobre mobilidade de funcionários, proteção de informações corporativas e o uso de conhecimento adquirido por profissionais que migram entre gigantes da tecnologia.
Por enquanto, não há decisão judicial que confirme que a OpenAI ou os ex-funcionários tenham roubado segredos comerciais da Apple. O processo continua em andamento.
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Fontes
https://www.reuters.com/legal/litigation/openai-says-apple-has-only-itself-blame-trade-secret-fight-2026-09-01/, https://www.washingtonpost.com/business/2026/07/10/apple-openai-lawsuit-trade-secrets-theft/9c386668-7ca1-11f1-b194-f872dd4ec5aa_story.html, https://www.macrumors.com/2026/09/01/dispute-said-to-be-mess-of-apples-own-making/