Atualização de 24 de outubro, à noite — mudança na decisão do TSE. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, reconsiderou parte da decisão de 23 de outubro e permitiu que veículos e embarcações da Funai, Sesai, Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), Ministério dos Povos Indígenas e outros órgãos federais previstos no plano da União sejam considerados a serviço da Justiça Eleitoral para transportar eleitores indígenas, quilombolas e de outras comunidades tradicionais. A reconsideração foi noticiada pelo UOL às 21h28 de sábado (24). Não é liberação irrestrita: a operação deve constar de quadro autorizado pelo juiz eleitoral competente antes da partida, com comunicação à Justiça Eleitoral. A autorização da frota federal não comprova que todas as viagens serão realizadas.

Antes da reconsideração, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, havia dado três horas ao TSE para prestar esclarecimentos sobre a restrição, após pedidos da PGR e da União. O despacho foi noticiado pela Agência Estado às 20h44. A decisão nova veio do TSE; não foi identificada decisão definitiva do STF sobre o recurso até esta atualização.

Como começou a controvérsia

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), neste sábado, 24 de outubro de 2026, que suspenda parte de uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o transporte de eleitores indígenas. A controvérsia envolve a necessidade de obter autorização prévia da Justiça Eleitoral para cada operação de transporte realizada por órgãos públicos no segundo turno, marcado para domingo (25).

O pedido foi apresentado pelo procurador-geral Paulo Gonet ao presidente do STF, Edson Fachin. Segundo a CNN Brasil e a Folha de S.Paulo, a PGR argumenta que o prazo entre a ordem e a votação pode ser insuficiente para aprovar os deslocamentos, especialmente os realizados por embarcações em áreas remotas.

O recurso da PGR não suspendeu automaticamente as exigências. A posterior reconsideração parcial pelo TSE, detalhada acima, permitiu a utilização de veículos federais, mas manteve controle judicial prévio das operações.

O que determinou o TSE

Na sexta-feira (23), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, rejeitou a autorização geral para que veículos e embarcações da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e do Ministério dos Povos Indígenas transportassem eleitores apenas mediante comunicação prévia de trajetos.

Pela determinação contestada, cada operação deve ser submetida à autoridade eleitoral competente, com informações como itinerário, horários, veículos e pontos de embarque. A decisão surgiu em resposta a uma solicitação da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O tema, porém, diz respeito ao acesso de eleitores às urnas, independentemente da preferência política.

A PGR sustenta que a exigência individualizada, comunicada na noite de sexta-feira, pode criar um obstáculo prático para deslocamentos que precisam começar ainda no sábado. A análise de cada pedido por juízes eleitorais, na avaliação do órgão, pode não ser concluída a tempo em localidades de difícil acesso.

Por que o transporte é considerado urgente

Uma nota técnica do Ministério dos Povos Indígenas citada na manifestação da PGR aponta aproximadamente 7,2 mil eleitores indígenas dependentes de transporte, dos quais cerca de 4.770 precisam de deslocamento fluvial, segundo a CNN Brasil. Esses números representam estimativas apresentadas no debate judicial, não uma contagem de eleitores impedidos de votar.

Em 22 de outubro, a Justiça Federal no Pará já havia determinado que a União adotasse medidas para garantir transporte gratuito, alimentação e apoio linguístico a eleitores indígenas em todo o país, após ação do Ministério Público Federal (MPF). A decisão incluiu apoio às prefeituras e intérpretes onde necessários.

Documento oficial: Leia a comunicação do MPF sobre a decisão federal de 22 de outubro.

A controvérsia atual é sobre como compatibilizar a garantia de transporte determinada pela Justiça Federal com os procedimentos de autorização da Justiça Eleitoral. Não se trata de autorização irrestrita para transporte eleitoral por campanhas ou particulares.

O que ainda depende de autorização

O TSE já reconsiderou parte da decisão e passou a admitir o uso da frota federal como serviço da Justiça Eleitoral. Cada operação continua dependendo de quadro previamente aprovado pelo juiz eleitoral competente. A decisão não confirma a execução de todas as viagens nem substitui a organização logística dos órgãos públicos. A manifestação definitiva do STF sobre o pedido da PGR não foi confirmada até esta atualização.

Para o eleitor, as regras gerais do segundo turno continuam valendo. O transporte público gratuito previsto para a votação é uma medida distinta da controvérsia sobre a logística específica de comunidades indígenas. Veja também a cobertura das orientações do TSE sobre transporte público e o guia de regras para votar no domingo.

Imagem de capa: barcos no rio Xingu, em Altamira (PA), fotografados em 2014. Foto de arquivo ilustrativa, sem relação direta com operações eleitorais de 2026. Crédito: Fernanda Nunes / Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0.

Fontes

UOL; Agência Estado; Ministério Público Federal ↗

MPF, 22/10/2026, decisão da Justiça Federal: https://www.mpf.mp.br/o-mpf/unidades/pr-pa/noticias/justica-atende-ao-mpf-e-manda-uniao-garantir-transporte-alimentacao-e-interpretes-a-indigenas-no-2o-turno; CNN Brasil, 24/10/2026, pedido da PGR ao STF: https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/pgr-vai-ao-stf-contra-aval-previo-para-transporte-de-indigenas-no-2o-turno/; Folha de S.Paulo, 24/10/2026, contexto da exigência do TSE: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/brasilia-hoje/2026/10/pgr-pede-que-stf-derrube-exigencia-de-autorizacao-previa-para-transporte-de-indigenas-no-2o-turno.shtml; UOL, 24/10/2026, reconsideração do TSE: https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2026/10/24/nunes-marques-recua-e-libera-transporte-federal-de-indigenas-no-2-turno.ghtm; Agência Estado via UOL, 24/10/2026, despacho de Fachin: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2026/10/24/fachin-da-3-horas-para-tse-prestar-informacoes-sobre-transporte-de-indigenas-no-2-turno.htm; Wikimedia Commons, Fernanda Nunes, CC BY-SA 3.0: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Barcos_no_rio_Xingu.JPG