Renan Santos reconheceu no Flow News que, se vencer a eleição presidencial sem uma maioria própria no Congresso, terá de negociar com partidos do Centrão.
A fala é relevante porque o candidato costuma apresentar discurso duro contra o bloco e contra práticas tradicionais de coalizão.
Em vez de prometer governar sem esses partidos, Renan propôs um modelo de acordo público.
“Não vai dar para passar tudo sem composição”
Questionado sobre como governaria diante de um Congresso com forte presença de partidos de centro e centro-direita, Renan respondeu que não poderia ignorar a composição escolhida pelo eleitor.
Ele disse que seria necessário formar maioria.
Resolução vinculante
Renan propôs que cada partido que aderisse ao governo aprovasse uma “resolução vinculante” assinada pela direção da legenda.
O documento registraria compromisso da bancada com as propostas centrais que ele apresentou durante a eleição.
Depois disso, o partido poderia participar da administração.
Sem controle de estatais, segundo o candidato
Na explicação, Renan disse que partidos aliados não receberiam controle de estatais como parte da negociação.
A promessa precisaria ser testada na prática, porque coalizões envolvem ministérios, cargos, orçamento, relatorias e prioridades legislativas.
Também não está claro qual seria o efeito jurídico real de uma “resolução vinculante” sobre parlamentares que possuem mandato próprio.
Relação com o parlamentarismo
Renan relacionou a proposta ao parlamentarismo.
Ele argumenta que o Brasil vive um presidencialismo em que o presidente precisa vencer a eleição e depois montar outra maioria no Congresso.
No longo prazo, ele já defendeu mudança para parlamentarismo com voto distrital misto e lista fechada.
A “resolução vinculante” seria uma tentativa de aplicar parte da lógica de coalizão parlamentarista dentro das regras atuais.
A admissão cria um critério verificável para eventual governo: alianças deveriam ser públicas, programáticas e acompanhadas de compromisso formal.
