Renan Santos (Missão) aprofundou na sabatina da Jovem Pan uma das propostas mais controversas de sua campanha: desenvolver, no longo prazo, uma capacidade nuclear militar brasileira como instrumento de dissuasão e soberania.
A posição já havia sido apresentada em entrevistas anteriores, inclusive na Globo. A novidade na Jovem Pan foi o detalhamento do horizonte político e jurídico. Renan afirmou que o tema não seria tratado em seu primeiro mandato e falou em prazo superior a oito anos para que o Brasil acumulasse capacidade econômica, tecnológica, militar e diplomática suficiente.
▶ Assista ao trecho (00:24:11): Renan explica a estratégia nuclear e o cenário geopolítico
Constituição hoje só admite atividade nuclear para fins pacíficos
Questionado diretamente sobre a barreira constitucional, Renan reconheceu que seria necessária uma mudança. O artigo 21, inciso XXIII, da Constituição determina que toda atividade nuclear em território nacional somente seja admitida para fins pacíficos, com aprovação do Congresso.
O candidato disse que, em um horizonte de longo prazo, uma mudança desse tamanho poderia envolver mais do que uma PEC isolada. Na mesma sabatina, voltou a defender uma reforma constitucional profunda ou até uma nova Constituinte.
Renan admite eventual ruptura com tratado internacional
O Brasil também é parte do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), em vigor no país desde 1998. O tratado estrutura compromissos internacionais de não proliferação, desarmamento e uso pacífico da tecnologia nuclear.
Na Jovem Pan, ao ser perguntado se o país sairia do tratado, Renan disse que isso não ocorreria de imediato, mas afirmou que o Brasil poderia futuramente deixar o acordo ou descumpri-lo quando tivesse força suficiente para suportar as consequências internacionais.
Essa declaração é mais explícita do que a formulação usada em entrevistas anteriores. Ela transforma a discussão de pesquisa nuclear em uma proposta que, para chegar ao objetivo militar descrito, exigiria mudança constitucional e uma decisão de política externa com efeitos sobre compromissos assumidos pelo Brasil.
Argumento é a quebra da ordem internacional
Renan justificou a proposta dizendo enxergar enfraquecimento da ordem internacional criada após a Segunda Guerra Mundial e uma nova disputa de poder entre Estados Unidos e China. Também citou conflitos recentes como evidência de que tratados internacionais não impedem grandes potências de agir quando consideram seus interesses estratégicos ameaçados.
A conclusão de que o Brasil precisa de capacidade nuclear militar é a avaliação geopolítica do candidato, não uma consequência automática desses conflitos.
Não é promessa de bomba no primeiro mandato
Apesar da linguagem mais dura, Renan fez uma distinção importante: não prometeu construir uma arma nuclear imediatamente após assumir a Presidência. A proposta apresentada é de longo prazo, começando por ganho de capacidade econômica, industrial, tecnológica e militar.
Isso não elimina as barreiras. Hoje o projeto exigiria, no mínimo, enfrentar a restrição constitucional ao uso militar da energia nuclear e os compromissos do Brasil no regime internacional de não proliferação.
Atualização de 9 de setembro: esta matéria foi reescrita para incorporar o detalhamento dado por Renan na Jovem Pan e remover um bloco editorial duplicado que havia permanecido acidentalmente no arquivo-fonte da versão anterior.
Fontes
Jovem Pan / Constituição Federal / CNEN ↗
https://www.youtube.com/watch?v=bifNpN4uU6o | https://jovempan.com.br/politica/renan-santos-defende-programa-atomico-para-o-brasil-e-diz-que-bomba-e-fundamental/ | https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm | https://www.gov.br/ien/pt-br/assuntos/noticias/cnen-participa-da-conferencia-da-onu-sobre-nao-proliferacao-de-armas-nucleares | https://g1.globo.com/fato-ou-fake/eleicoes/noticia/2026/08/26/veja-o-que-e-fato-e-o-que-e-fake-na-entrevista-de-renan-santos-a-globo.ghtml
.jpg?width=1280)