O Tribunal Superior Eleitoral começa a julgar nesta terça-feira, a partir das 19h, um dos casos mais importantes até agora sobre inteligência artificial nas eleições de 2026.

A Corte analisa uma ação contra o uso de um vídeo que recriou a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a convenção nacional do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência.

O julgamento interessa muito além das duas figuras envolvidas. A decisão pode ajudar a definir, na prática, onde o TSE traçará a linha entre conteúdo sintético permitido e deepfake proibido.

O que aconteceu

No vídeo questionado, um avatar com aparência e voz semelhantes às de Jair Bolsonaro apresenta uma mensagem política e declara apoio ao filho.

A peça trazia indicação de que se tratava de conteúdo produzido com inteligência artificial. A defesa usa esse ponto para sustentar que não havia intenção de enganar o público.

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, levou o caso à Justiça Eleitoral e questiona o uso da IA e aspectos de propaganda antecipada.

A defesa de Flávio compara a representação digital a recursos tradicionais de campanha, como bonecos, máscaras, animações e caricaturas.

IA identificada ou deepfake proibido?

As regras eleitorais exigem identificação explícita quando conteúdos são produzidos ou manipulados com inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, proíbem deepfakes usados para favorecer ou prejudicar candidaturas.

O impasse é definir quando uma representação sintética claramente identificada ainda assim deve ser considerada deepfake.

Uma das discussões considera o grau de realismo: conteúdos evidentemente artificiais, como sátiras e animações, poderiam receber tratamento diferente de vídeos capazes de fazer o eleitor acreditar que está diante de um registro autêntico.

O que esperar do julgamento

O primeiro ponto será a classificação do vídeo.

Se a Corte entender que a identificação de IA não é suficiente para afastar a proibição quando o conteúdo imita de forma realista uma pessoa, o espaço para avatares de políticos ficará muito mais restrito.

O segundo ponto será a eventual punição. Reportagens publicadas antes da sessão apontam expectativa de multa, mas isso ainda não é decisão do Tribunal.

O terceiro — e mais importante para o restante da campanha — será a fundamentação.

Uma decisão restrita ao caso de Flávio tem efeito imediato limitado. Uma tese clara sobre o que caracteriza deepfake pode orientar dezenas de processos nas próximas semanas.

O critério valerá para todos os candidatos e partidos, inclusive aqueles que hoje questionam o vídeo.

Na prática, a decisão poderá influenciar vídeos de apoio, recriações de figuras públicas, dublagens sintéticas, memes, sátiras e outras peças feitas com ferramentas generativas.

Esta matéria é uma prévia do julgamento. O AVATIX News publicará uma nova reportagem após a sessão com o resultado, os votos e os efeitos concretos da decisão.

Fontes

CNN Brasil / Folha de S.Paulo ↗

https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/tse-comeca-a-julgar-hoje-limites-para-uso-de-ia-em-campanhas-eleitorais/

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/tse-deve-multar-campanha-de-flavio-por-avatar-de-bolsonaro-e-definir-punicao-sobre-uso-de-deepfake.shtml