Uma pesquisa eleitoral tenta estimar o comportamento de um eleitorado muito maior a partir de um grupo menor de entrevistados. Ela não pergunta a todas as pessoas do país em quem pretendem votar. Em vez disso, constrói uma amostra que procura representar características da população estudada.
É por isso que o número de entrevistas, sozinho, não diz se uma pesquisa é boa ou ruim. Importam também a forma de seleção dos entrevistados, as ponderações usadas, o período em que o levantamento foi feito, o questionário e a metodologia.
Pesquisas relativas a eleições precisam ser registradas na Justiça Eleitoral antes da divulgação. O cadastro inclui informações como quem contratou o levantamento, origem dos recursos, metodologia, período de campo, plano amostral, nível de confiança e margem de erro.
O registro não significa que o TSE “aprovou” o resultado. A Justiça Eleitoral exige transparência sobre a pesquisa, mas não faz um controle prévio dizendo que determinado número está certo ou errado.
Outro ponto importante é o tempo. Uma pesquisa feita antes de um debate, de uma denúncia ou de uma mudança importante na campanha não captura automaticamente os efeitos daquele acontecimento. O resultado deve ser lido considerando as datas em que as entrevistas foram realizadas.
Também é possível que dois institutos apresentem números diferentes sem que necessariamente um deles esteja errado. Metodologias, amostras e momentos de coleta podem variar. Por isso, uma sequência de levantamentos costuma ser mais informativa do que um único número isolado.
Na divulgação, vale observar pelo menos cinco itens: instituto responsável, tamanho da amostra, período de entrevistas, margem de erro e nível de confiança. Também é útil conferir quem contratou a pesquisa e o número de registro.
A pergunta correta raramente é “essa pesquisa acertou?”. Durante a campanha, o levantamento está medindo intenção de voto naquele momento e dentro de uma margem de incerteza. A eleição, por outro lado, registra o voto efetivamente dado na urna.
